24 de jan de 2012

2011 foi o 9º ano mais quente da história

o eco
http://www.oeco.com.br/geonoticias/25644-2011-foi-o-9o-ano-mais-quente-da-historia?utm_source=newsletter_302&utm_medium=email&utm_campaign=as-novidades-de-hoje-em-oeco



Legenda: Temperaturas Globais 1880-2011. Cores azuis representam as temperaturas abaixo da linha de base e cores vermelhas, acima do ponto de referência. Fontes de Dado: NASA Goddard Institute for Space Studies. Visualization credit: NASA Goddard Space Flight Center Scientific Visualization Studio 

A Instituto Goddard da NASA acaba de disponibilizar uma animação com as informações de variações de temperaturas ao redor do globo. Os registros iniciam-se em 1880 e chegam até 2011. O ano que passou foi o 9º mais quente na série histórica apresentada. O Instituto Goddard interpreta estes resultados como uma clara tendência de aquecimento da atmosfera do planeta em função de emissões de gases de efeito estufa por atividades humanas.

Na animação, é possível ver um aumento das regiões em vermelho após a década de 70, contribuindo para a tese de que o aquecimento global causado pelas emissões da industrialização passou a ocorrer na segunda metade do século XX e tem se agravado desde o início dos anos 2000. Treze dos anos mais quentes da história ocorreram nos últimos 15 anos. 

"Nós sabemos que o planeta está absorvendo mais energia do que emitindo", disse o diretor do Intituto Goddard, o físico James Hansen, considerado um dos primeiros cientistas a alertarem sobre o risco do aquecimento global. Ele ficou famoso por seu pronunciamento no Congresso Americano em 1988, o que teria levado à criação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. Em comunicado distribuído a imprensa, Hansen notou que, mesmo com a ocorrência do fenômeno La Ninã em 2011, o ano entrou para os dez mais quentes da história. O La Ninã contribui para o esfriamento das temperaturas do globo.

O gráfico abaixo, também fornecido pelo Instituto Goddard, mostra a tendência de aceleração no aumento da temperatura global. Na comparação com 1880, a média da temperatura do planeta elevou-se 0,51ºC.




Download de dados
As séries históricas e imagens para cada ano podem ser encontrados no site do Instituto Goddard - http://data.giss.nasa.gov/ 

Leia também 
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Temperaturas de 2009: Cada vez mais quente 

tartarugas marinhas


por uma destas coisas da internet, de tempos e tempos recebemos uma mensagem sobre a coleta de ovos das tartarugas marinhas, ora em Costa Rica, ora no Amazonas ou em algum lugar da América Latina. É uma falsa notícia conforme msg abaixo, do boletim  O ECO.

tartarugas marinhas
http://www.oeco.com.br/convidados/23644-o-alegado-roubo-de-ovos-de-tartaruga-na-costa-rica



Nas últimas semanas tem corrido livre pela internet emails, com o assunto AJUDEM A DIVULGAR ESTE ABSURDO, contendo fotos de pessoas coletando ovos de tartarugas marinhas e os carregando em grandes sacos. O e-mail termina solicitando “FAVOR DIFUNDIR. ROUBAM OS OVOS DAS TARTARUGAS PARA VENDER AOS GOURMETS SOFISTICADOS. REPASSEM, O PLANETA AGRADECE”.

Por orientação do Projeto Tamar – ICMBio / Fundação Pró-Tamar, é importante esclarecer os fatos e estabelecer a verdade, pois o que sugerem o texto e as imagens não é exatamente o que parece. É mais uma “pegadinha” da Internet.

Uma das imagens que circula na internet ( crédito desconhecido)

A verdade

A Costa Rica tem enorme tradição de conservação das tartarugas marinhas. O pesquisador americano Archier Car, pioneiro na conservação de tartarugas marinhas, há 50 anos já trabalhava para preservar a espécie Lepidochelys olivacea(tartaruga oliva) em Tortugueiro, Costa Rica, hoje um dos maiores sítios de desovas dessa espécie no mundo.

E uma das características mais impressionante dessa espécie é que ela produz as Arribadas, um fenômeno que ocorre exclusivamente na Costa Rica. As tartarugas saem juntas da água em direção à praia para desovar, aos milhares, por varias noites seguidas. São mil na primeira noite, cinco mil na segunda noite e assim por diante.

Em cinco noites, cerca de 100 mil tartarugas desovam em pequenas praias, com cerca de 300 metros, em um verdadeiro engarrafamento na areia. Os ninhos das primeiras fêmeas são revirados pelas outras, expondo-os ao tempo e aos predadores (aves, onças, crocodilos e gambás), o que muitas vezes inviabiliza o sucesso reprodutivo.

Na Praia de Ostional, na Costa Rica, onde esse fenômeno também acontece, e que está retratado nas imagens, os moradores locais, baseados em dados biológicos, são autorizados a fazer o aproveitamento dos ovos que são depositados nos dois primeiros dias da arribada e que seriam destruídos pelas fêmeas que desovam nas noites seguintes. Ou seja, os moradores locais coletam os ovos depositados somente nas duas primeiras noites e deixam os ovos desovados nas três noites seguintes.

Como tudo na vida há prós e contras, críticas e elogios. Porém, os conservacionistas da Costa Rica acompanham, através das analises cientificas, o desenrolar dessa experiência que há dezenas de anos mobiliza milhares de pessoas e tartarugas.

Como estratégia de conservação, busca-se fazer um manejo sustentado equilibrando os interesses. Assim não se perdem milhares de ovos, a comunidade local tem uma fonte de renda e as tartarugas fêmeas não são capturadas e continuam se reproduzindo.

30 anos de Projeto Tamar – um fato curioso

No Brasil não há arribadas e as tartarugas oliva concentram suas desovas no Estado de Sergipe e no litoral norte do Estado da Bahia, apresentando a maior recuperação populacional entre as cinco espécies que ocorrem no Brasil.

Esse ano o Projeto Tamar comemora 30 anos de excelentes serviços prestados na proteção e monitoramento das tartarugas marinhas. Como elas podem levar até 30 anos para se tornarem adultas e aptas a se reproduzirem, estamos recebendo nas praias brasileiras a primeira geração de tartarugas protegidas pelo Projeto Tamar. Começaram protegendo cerca de duzentos ninhos da tartaruga oliva e hoje já são mais de seis mil ninhos por ano.

*Marcelo Szpilman, Biólogo Marinho formado pela UFRJ, com Pós-Graduação Executiva em Meio Ambiente (MBE) pela COPPE/UFRJ, é autor dos livros GUIA AQUALUNG DE PEIXES, AQUALUNG GUIDE TO FISHES, SERES MARINHOS PERIGOSOS, PEIXES MARINHOS DO BRASIL, e TUBARÕES NO BRASIL, e de várias matérias e artigos sobre a natureza, ecologia, evolução e fauna marinha publicados nos últimos anos em diversas revistas e jornais e no Informativo do Instituto. Atualmente, Marcelo Szpilman é diretor do Instituto Ecológico Aqualung, Editor e Redator do Informativo do citado Instituto, diretor do Projeto Tubarões no Brasil (PROTUBA) e membro da Comissão Científica Nacional (COCIEN) da Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos (CBPDS).

18 de jan de 2012

Ciclos climáticos do planeta teriam se repetido

fonte - fapesp
http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=71859&bd=2&pg=1&lg=


NOTÍCIAS
Ciclos climáticos do planeta teriam se repetido
Processos atuais de resfriamento e de aquecimento abruptos da Terra podem ser compatíveis com os de épocas mais distantes
© FABIO COLOMBINI
Visitantes observam as rochas no Parque do Varvito, em Itu, no interior de São Paulo
Quem visita o Parque do Varvito, em Itu, no interior de São Paulo, observa com facilidade as marcas do tempo esculpidas nas rochas ali expostas. São listras horizontais contínuas nos paredões de rocha, que há décadas intrigam pesquisadores de diferentes áreas. Por muito tempo a hipótese mais aceita para explicar essa formação era a de que essas camadas horizontais se formaram pelo depósito de sedimentos próximo a uma geleira há cerca 290 milhões de anos, em consequência de variações climáticas ocorridas naquele período geológico, o Permocarbonífero. Pensava-se que cada camada se formasse a cada verão, quando a geleira descongelasse. Agora, um trabalho realizado por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos, apresentado na forma de quatro artigos, indica que essa deposição aconteceu numa escala temporal mais ampla, que pode ter levado milhares de anos. O mais recente deles, publicado em janeiro na Geology, também indica que as variações atuais do clima, que se pensavam restritas ao último 1,8 milhão de anos, vêm ocorrendo desde os primórdios da Terra.
As rochas do Parque do Varvito são semelhantes às encontradas no município de Rio do Sul, em Santa Catarina, também analisadas pela equipe. Ambas pertencem ao Grupo Itararé, da Bacia do Paraná, que há 290 milhões de anos fazia parte do supercontinente Gondwana – que reunia a maior parte das terras hoje situadas no hemisfério Sul do planeta. Uma das autoras, Marcia Ernesto, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), realizou trabalho semelhante na década de 1970, quando a visão predominante era de que essas rochas representavam uma deposição anual típica de ambientes glaciais. Mas muitos pesquisasdores desconfiavam de que a deposição não era anual, porque a espessura das camadas varia de 4 a 5 centímetros a quase meio metro. “Seria necessária uma grande energia para formar camadas de até 50 centímetros em um ano”, contrapõe Marcia. “Hoje, com equipamentos mais sensíveis do que há três décadas, conseguimos analisar o magnetismo das rochas com maior detalhe para buscar uma solução.”
Para mostrar que essas camadas intituladas como varvito (rocha caracterizada por camadas de sedimentos depositados anualmente) não foram depositadas em períodos de um ano, os pesquisadores analisaram variações do campo magnético da Terra registradas nas rochas. Eles conseguiram determinar como era o campo magnético durante a formação de cada camada da rocha e compararam com a direção do campo magnético da Terra naquela época. “As variabilidades direcional e da intensidade do campo geomagnético podem permanecer armazenadas nas rochas por muitos milhões de anos”, explica Daniel Ribeiro Franco, atualmente no Observatório Nacional (ON), autor do estudo. Segundo os pesquisadores, as variações de direção no campo magnético encontradas entre as camadas eram maiores do que a esperada para ocorrer a cada ano.
Como não era possível verificar quanto tempo levou a deposição de cada camada, os pesquisadores usaram o que os especialistas chamam de “calibração astronômica” para investigar como a inclinação do eixo da Terra (obliquidade), o movimento dela em torno de seu próprio eixo (precessão) e a sua órbita ao redor do Sol – um conjunto de fatores conhecido como “ciclos de Milankovitch” – poderiam interferir no clima do planeta. Com isso, identificaram periodicidades de deposição em escala milenar, relacionadas ao ciclo solar de 2,4 mil anos, e variações do clima global associadas a mudanças no resfriamento e no aquecimento abruptos, conhecidos como “ciclos de Bond”, que, até então, eram considerados restritos ao Quaternário (o último 1,8 milhão de anos). “Nosso estudo possibilitou a identificação de processos quase periódicos (efeitos de resfriamento e aquecimento abruptos) surpreendentemente compatíveis com aqueles observados para épocas mais recentes da história da Terra”, afirma Franco.
Com o trabalho, a equipe levanta outra questão: os padrões climáticos que os pesquisadores sugerem para o Quaternário se aplicariam a toda a história da Terra? “O clima flutua naturalmente e o dessa época já era conhecido, mas determinar a variação cíclica da deposição dos sedimentos em função de parâmetros climáticos e astronômicos nos ajuda a entender melhor o que acontece hoje com o planeta”, diz Marcia. O próximo passo é estudar camadas menos espessas do Grupo Itararé para verificar se o intervalo de tempo entre sua deposição é menor e de outra natureza.

9 de jan de 2012

Emissões de CO2 podem retardar início da próxima Era Glacial


 

7 de jan de 2012

Criosfera 1 inicia transmissão de dados na Antártica

fonte - o eco
http://www.oeco.com.br/br/noticias/25587-modulo-brasileiro-criosfera-1-inicia-transmissao-de-dados-na-antartica?utm_source=newsletter_285&utm_medium=email&utm_campaign=hoje-em-o-eco-06-de-janeiro-de-2012


Acampamento avançado, a 84°S, onde o módulo está sendo instalado. Foto: CPC/UFRGS Divulgação
Ainda em teste, o módulo científico Criosfera 1 inicia a transmissão de dados meteorológicos direto da Antártica para o Brasil, mais precisamente para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Esse é o resultado comemorado pelo trabalho da equipe de 15 pesquisadores brasileiros e 2 chilenos, integrantes da Expedição Criosfera, os quais estão acampados no continente gelado desde o dia 17 de dezembro de 2011.

Depois do retorno da equipe, o módulo deve começar sua operação plena e a coletar automaticamente amostras do ar polar. “Estamos na segunda semana de trabalho e já podemos dizer que a expedição é um sucesso. Embora a temperatura tenha caído um pouco, chegando a -17°C, com sensação térmica de -42°C, os trabalhos ao ar livre estão sendo feito sem muitos problemas. Nossa perfuração nas camadas de gelo para obtenção dos testemunhos* já chega a 70 metros de profundidade, o que nos possibilita reconstruir os últimos 300 a 400 anos da história da atmosfera terrestre”, conta por telefone o líder da expedição, professor Jefferson Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).


Ano Novo da equipe do acampamento avançado. Dentro do módulo estava "quentinho". Foto: CPC/UFRGS Divulgação
Depois de comemorarem o Natal no acampamento base, localizado na Geleira Union (79º45’S; 82°50’W), os cientistas dividiram-se em dois grupos: um que permaneceu na base e outro que seguiu para o acampamento avançado (84°S, 79°29'39"W; 1.287 metros de altitude), mais próximo do Polo Sul geográfico. É neste ponto, a cerca de 670 quilômetros do Polo, que o primeiro módulo científico brasileiro está sendo instalado no interior da Antártica.

Sobre a noite de Ano Novo no gelo, Simões conta que a temperatura esteva na casa dos -30°C, mas a comemoração do grupo foi dentro do módulo Criosfera 1, cujo termômetro marcava 14°C (positivos). “O isolamento térmico do módulo é excelente e esta temperatura agradável é atingida somente com a radiação solar que passa pelas janelas”, revela.

Módulo Criosfera 1 sendo equipado e montado. Foto: CPC/UFRGS Divulgação
As baterias que garantirão o funcionamento do módulo já estão sendo carregadas pelos painéis solares e geradores eólicos, que funcionarão durante o ano todo. “Esperamos concluir a instalação na próxima semana e inaugurar o módulo completo dentro de dez dias”, revela o líder da expedição.

O grupo segue dividido entre esses dois acampamentos até o final dos trabalhos, que devem ser concluídos dia 20 de janeiro de 2012. A expectativa é que dia 25 de janeiro todos já estejam de volta, comemorando o sucesso da missão científica pioneira no país.


*Testemunhos de gelo são cilindros de cerca de 7 cm de diâmetro e 80 cm de comprimento obtidos através da perfuração das camadas de gelo que cobrem o continente antártico. Através de analíses físicas e químicas, em laboratório, é possivel reconstituir a história da composição atmosférica da Terra.