9 de fev de 2012

Áreas Úmidas: fonte de vida sob ameaça

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http://www.revistafapematciencia.org/noticias/noticia.asp?id=277


Áreas Úmidas: fonte de vida sob ameaça
02/02/2012 16:33
Os organizadores do evento acreditam que é preciso tornar mais claro o papel as áreas úmidas para a sociedade.
Foi lançado nessa quinta-feira (2/2), o I Congresso Brasileiro de Áreas Úmidas. O evento trouxe reflexões sobre a preservação desses ecossistemas e também foi momento de comemorar o Dia Mundial de Áreas Úmidas. Estavam presentes representantes da Universidade Federal de Mato Grosso, do Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas (INAU), organizadores, além de profissionais da imprensa. A solenidade foi realizada na sala dos órgãos colegiados da UFMT-Cuiabá, prédio da reitoria.

De acordo com o professor Paulo Teixeira de Souza Júnior, fundador do CPP, o I Congresso Brasileiro de Áreas Úmidas vai celebrar os 10 anos do Centro e tem como objetivo discutir o usos sustentável das áreas úmidas. O evento será realizado entre os dias 8 e 10 de agosto e incluirá na programação o seminário “Turismo de Base Comunitária: Contribuição para a Sustentabilidade das Áreas Úmidas” e o “Fórum Empresarial: A responsabilidade social e as ações sustentáveis no Pantanal e áreas úmidas”.

Pierre Girard, coordenador do evento e integrante do CPP, disse que no congresso serão tratados temas como o funcionamento das áreas úmidas, a questão da exploração do potencial hidrelétrico desses locais e também o valor econômico  destes ecossistemas.

Para a editora da revista Camalote, Lauristela Guimarães, que organizará a programação paralela do congresso, o evento deve ser aproveitado como produto de divulgação turística da região. Ela citou também que é muito importante a imprensa destacar as áreas úmidas. Isso foi lembrado também pelo professor Paulo Teixeira, que defendeu a divulgação do conhecimento sobre esse ecossistema para toda a sociedade: “O cientista já sabe a importância das áreas úmidas. A população é que não sabe”, comentou.

Jaime Okamura, que faz parte da organização do evento, trouxe para a solenidade a preocupação em relação à Copa do Mundo de 2014 e às Olimpíadas 2016. Ele acredita que no Congresso deve haver discussões sobre o impacto que um grande número de pessoas pode trazer para o pantanal matogrossense, uma das maiores áreas úmidas do planeta.

Durante o lançamento do congresso, os presentes também refletiram sobre políticas ambientais. Entre os temas em destaque, o novo Código Florestal, que deve ser avaliado novamente em março. Na visão de Paulo Teixeira, as alterações do Código Florestal trarão conseqüências sérias. “O código como está vai ser um desastre para as áreas úmidas”, disse ele

O I Congresso Brasileiro de Áreas Úmidas, será realizado pelo CPP, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas úmidas (Inau). A programação do evento não está concluída, mas deverá contar com workshops, apresentação de trabalhos científicos e palestras de especialistas brasileiros e estrangeiros no assunto.

Características e funções de áreas úmidas

São áreas úmidas, além das planícies de inundação, aquelas em que às águas dos rios transbordam e inundam o local; as veredas, que possuem, normalmente, solos argilosos, comuns aos fundos de vales; as matas ciliares (que ficam nas margens dos rios); e os manguezais, regiões de transição entre ambiente terrestre e marinho.

De acordo com o professor Pierre Girard, do Centro de Pesquisas do Pantanal (CPP), as áreas úmidas têm funções que incluem filtração de água, regulação climática, fornecimento de alimento e também regulação de sedimentos. Além disso, o professor falou da importância cultural e até sobre uma função subjetiva, que tem a ver com a beleza e as sensações que essas áreas podem promover para as pessoas.

Ainda segundo Pierre Girard, as áreas úmidas brasileiras estão em boa parte conservadas. Contudo, se percebe cada vez mais os impactos humanos. O pesquisador alertou, então, para a necessidade de cuidado com o uso de tecnologias que transformam o meio ambiente.

 
Redação / Foto: Dafne Spolti

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