29 de jun de 2012

Patrimônio cultural e natural

IHU - UNISINOS
http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/patrimonio-cultural-e-natural-mais-um-tema-ignorado-na-rio20-entrevista-especial-com-silvia-zanirato/510945-patrimonio-cultural-e-natural-mais-um-tema-ignorado-na-rio20-entrevista-especial-com-silvia-zanirato



Patrimônio cultural e natural: um tema muitas vezes ignorado. Entrevista especial com Silvia Zanirato

“O maior desafio é o de se ter vontade política suficiente para reverter a situação de exclusão social, de se ter coragem de enfrentar os interesses do mercado imobiliário e considerar o solo não por seu valor de troca, mas pelo valor de uso, uma condição necessária para a sobrevivência digna da humanidade”, declara a historiadora.

Confira a entrevista. 


“A exclusão social mundial é um dado: mais de um bilhão de pessoas vivem em extrema pobreza, sendo que uma em cada cinco pessoas no mundo sofre com a falta de comida”, diz Silvia Zanirato à IHU On-Line. Uma proposta para combater essa condição, informa, foi formulada pelos participantes da Cúpula dos Povos, que sugeriram a “criação de uma taxa sobre transações financeiras”. No entanto, lamenta, “esse desejo foi frustrado no documento aprovado na plenária da Rio+20, que não considerou a possibilidade de financiamento para a proteção social e postergou, para 2015, a proposta de deliberação de um percentual do PIB para os países em desenvolvimento”. Por causa de decisões como essas,Zanirato avalia que a conferência “expressou a falta de vontade de governos de construir uma governança global para o combate à pobreza e postergou, uma vez mais, decisões sobre o assunto”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail para a IHU On-Line, a pesquisadora também aborda o conceito de patrimônio cultural e natural como uma alternativa para propor moradias sustentáveis, e sugere que os imóveis patrimonializados e protegidos por políticas públicas sejam habitados por pessoas que vivem em moradias inadequadas. “Essas edificações assim como outras que estão nesses espaços, muitas vezes abandonadas e degradadas, podem e devem ser reabilitadas e tornadashabitação de interesse social. Para isso, há uma série de desafios a serem transpostos, desde aqueles que envolvem os interesses do mercado imobiliário a outros como a concepção elitista a respeito do patrimônio cultural edificado, que deve ser considerado por seus múltiplos usos, entre os quais o residencial”, avalia.

Silvia Zanirato (foto abaixo) é doutora em História pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, especialista em Gestão do Patrimônio Cultural Integrado pela Universidade Federal de Pernambuco e pós-doutora em Geografia Política pela Universidade de São Paulo – USP, e em História pela Universidad de Sevilla. Atualmente leciona no Curso de Gestão Ambiental, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, e no Programa de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política, da USP. Atua como professora colaboradora no mestrado em História na Universidade Estadual de Maringá. Também é professora convidada do máster em Gestion del Patrimonio Urbano Latinoamericano y Andaluz, da Universidad de Sevilla.

Confira a entrevista. 

IHU On-Line – Em que consiste os conceitos de patrimônio cultural e natural, e como eles são interpretados a partir dos dilemas ambientais em pauta neste momento?
Silvia Zanirato – O patrimônio é um conceito muito amplo e nele se inscrevem os bens culturais e naturais, ainda que nem sempre essa acepção seja considerada. Não é algo circunscrito às criações físicas do homem, nem somente a algo monumental, excepcional do ponto de vista da história, da arte, da estética. Ele é formado por uma série de elementos naturais e culturais, materiais e imateriais que registram os modos de vida ao longo do tempo. Nesse entendimento o ambiente é um patrimônio porque nele se desenvolvem diferentes formas de vida. O patrimônio também não se limita aos bens reconhecidos e protegidos por leis. Mesmo aqueles que não se encontram nessa condição podem ser considerados patrimônio porque há neles valores afetivos, de existência, de identidade.

Os grandes dilemas ambientais são a manutenção da biodiversidade, a redução da pobreza, o controle das emissões de carbono. Em todos esses aspectos o patrimônio e sua proteção se encontram. No âmbito natural, por exemplo, a conservação da biodiversidade ocorre através da criação e efetiva proteção de unidades de conservação, que são repositórios do patrimônio. Em se tratando da redução da pobreza, a utilização do patrimônio cultural edificado encontrado na maioria das grandes cidades latino-americanas é outra possibilidade. Não se pode esquecer que os centros históricos de boa parte das cidades latino-americanas contam com uma série de edificações vazias e degradadas, que podem e devem ser reabilitadas e tornadas habitação de interesse social para a inclusão da pobreza. Este é o sentido que vejo no patrimônio, o de ser disponibilizado para os que dele necessitam.

É numa perspectiva holística que isso se coloca, a de defender os usos sociais dos patrimônios. Para isso há uma necessidade de superar a visão monumentalista e o hábito de só investir em salvaguarda de bens na expectativa de retorno do investimento, muitas vezes resultantes da exposição ao turismo. Uma visão integrada do patrimônio pressupõe atribuir funções compatíveis aos usos sociais em incorporar a população pobre que habita lugares onde há edificações patrimonializadas e disponibilizá-los de forma a garantir a ela uma moradia digna.

IHU On-Line – Em que consiste o uso sustentável do patrimônio cultural? Como esse debate repercute no Brasil e no mundo?

Silvia Zanirato
 – O uso sustentável pressupõe os usos sociais do patrimônio, ou seja, a participação da sociedade na conservação desse bem. Não é possível que haja, como é o caso de lugares patrimonializados nos centros das cidades de Salvador e Recife, um número grande de imóveis protegidos por políticas públicas e sem uso, em paralelo a um número contingente de pessoas vivendo em moradias inadequadas. Essas edificações assim como outras que estão nesses espaços, muitas vezes abandonadas e degradadas, podem e devem ser reabilitadas e tornadas habitação de interesse social. Para isso há uma série de desafios a serem transpostos, desde aqueles que envolvem os interesses do mercado imobiliário a outros como a concepção elitista a respeito do patrimônio cultural edificado, que deve ser considerado por seus múltiplos usos, entre os quais o residencial.

Investir nessa direção também deve ser considerado como uma forma de reverter os padrões de expansão horizontal das cidades – em melhor aproveitar a infraestrutura e serviços encontrados em inúmeros centros antigos que se mantêm ociosos ou subutilizados e assim aproveitar as redes de transporte, o acesso a serviços, sistemas de água e energia –, algo crucial no processo de evitar ou restringir infraestruturas com alta emissão de carbono, em reduzir o contingente populacional que vive em habitações subnormais e em caminhar em direção aos objetivos do milênio.

IHU On-Line – Na Rio+20 e a na Cúpula dos Povos, houve espaço para discutir o patrimônio cultural e natural? Como aconteceu esse debate?

Silvia Zanirato 
– Houve pouco espaço. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN realizou uma sessão de debates no Palácio Capanema – um evento paralelo – a respeito da conservação e recuperação do meio ambiente e do acesso à cultura como fator de promoção social. Houve também alguns debates e experiências apresentadas pelo Fórum Nacional de Reforma Urbana, a Habitat International Coalition – HIC e a Alianza Internacional de los Habitantes – AIH na Cúpula dos Povos, que expuseram projetos habitacionais que contemplam a habitação de interesse social e que defendem a não mercantilização da moradia e o direito à cidade. Mas a inclusão social pela garantia de uma moradia digna e pela possibilidade de usos do patrimônio cultural edificado foi um assunto pouco tratado. O debate se restringiu a algumas iniciativas de pesquisadores que trabalham com essa temática, como é o meu caso, que pude tratar dessa questão com outros pesquisadores da Universidade de São Paulo e do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas – Ipea. A mesa-redonda que abordou esse assunto ocorreu no dia 14 de junho, na Arena da Barra. Por ser o segundo dia do evento e por não estar nos locais de maior destaque (Riocentro e Aterro do Flamengo), a presença de um público mais amplo para repercutir o assunto deixou a desejar.

IHU On-Line – Em que medida dois dos temas centrais da Rio+20, a governança global e economia verde como alternativa para erradicar a pobreza, se relacionam com o conceito de patrimônio cultural e natural?

Silvia Zanirato 
– A Rio+20 teve como propósito avaliar o cumprimento dos compromissos multilaterais adotados nos últimos 20 anos que remetem à Eco-92 e aos Objetivos e Metas de Desenvolvimento do Milênio. Na ocasião se buscou avaliar em que medida foi possível caminhar em direção a um desenvolvimento sustentável e eficiente na promoção do bem-estar humano e ambiental. 

Um dos temas abordados é aquele que reportou aos esforços para erradicar a exclusão social e reduzir a pobreza. Gerar oportunidades para o desenvolvimento econômico e diminuição da pobreza sem liquidar ou acabar com os bens naturais de um país é o grande desafio apresentado pelo PNUMA.

Entre o conjunto de premissas e recomendações em favor da melhoria da qualidade de vida da população pobre está o de mudar os tipos de assentamentos a ela destinados. Essa preocupação aparece na Agenda 21 e nos objetivos daCúpula do Milênio, que estabeleceram metas a serem cumpridas até 2015 para tornar o mundo mais solidário e justo. Entre essas metas está a implementação de políticas capazes de garantir o direito à habitação digna a todas as pessoas. A expectativa é a de atingir, até 2020, uma melhora significativa na vida de pelo menos 100 milhões de pessoas que se encontram em assentamentos precários. Isso equivale a reduzir pela metade o contingente que vive em tais condições.

Nesse sentido, o patrimônio cultural edificado existente nos centros das cidades, muitas vezes em avançado estado de degradação, ou mesmo recuperado por políticas públicas de promoção do patrimônio cultural, mas ainda assim sem usohabitacional, entra como uma alternativa. É possível destinar esses espaços para a população sem moradia digna. Já há experiências nessa direção, por exemplo em Quito, no Equador, que atestam essa possibilidade. Já há também um saber acumulado em experiências de que isso implica programas de subsídio a habitações sociais que possibilitem o acesso à população de baixa renda a uma habitação digna.

IHU On-Line – Que modelo de governança e de desenvolvimento seria necessário para dar conta dessa questão do patrimônio?

Silvia Zanirato –
 Quando se fala em governança, pensa-se na diversificação de atores envolvidos nas discussões sobre temas como meio ambiente e sustentabilidade. Isso significa ampliar a participação de setores da sociedade que não participam do debate político. Em se tratando do patrimônio, ainda que tenha havido uma ampliação da participação da sociedade em conselhos municipais, por exemplo, ainda permanece uma visão elitista do patrimônio que o vê mais como um bem a ser contemplado, e não como um bem que deve ter uma função social. Somente o reconhecimento da função social do patrimônio permite posturas capazes de enfrentar os interesses do mercado imobiliário, as políticas de ordenação do espaço, a concepção monumentalista e excludente do patrimônio cultural edificado. Nesse sentido, destaco a necessidade de prosseguir apostando no disposto pela Emenda Constitucional nº 26/2000, que afirma a moradia como um direito social, expresso no Artigo 6, no capítulo dos Direitos e Garantias Fundamentais da Constituição de 1988. Em acordo com o artigo 182, §2º dessa Constituição, a "propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade, expressas no plano diretor".

Esse princípio, seguido do artigo 39 do Estatuto da Cidade (que regulamenta o capítulo de política urbana na ordem econômica da Constituição de 1988), expressa que a propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às necessidades dos munícipes em relação à justiça social e à qualidade de vida. São esses dispositivos que permitiram a aprovação da Lei nº 11.124/2005, que instituiu o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social e que considerou que os imóveis públicos vagos ou abandonados que não estão cumprindo sua função social devam ser canalizados para as habitações de interesse social. A habitação de interesse social procura definir soluções de moradia voltada para a população de baixa renda (famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos).

Pôr em prática esses dispositivos é um desafio e uma forma de acabar com o estoque imobiliário sem uso, presente nos centros históricos das cidades do Brasil e, ao mesmo tempo, promover a inclusão social.

IHU On-Line – Como avalia as discussões acerca da governança global e da inclusão social na Rio+20 e na Cúpula dos Povos?

Silvia Zanirato
 – A exclusão social mundial é um dado: mais de um bilhão de pessoas vive em extrema pobreza, sendo que uma em cada cinco pessoas no mundo sofre com a falta de comida. Esses números expressam o tamanho do desafio. Por isso mesmo o combate a essa condição não pode prescindir de uma ação global de financiamento pelos países ricos aos países em desenvolvimento para a implementação de mecanismo de proteção social. No entanto, como é sabido, a alegação de vários representantes dos Estados na Conferência foi a de que não há recursos para financiar essa transformação. A expectativa defendida em várias falas do movimento sindical e social de vários países, na Cúpula dos Povos e mesmo na Rio Dialogues, foi a da criação de uma taxa sobre transações financeiras. Esse desejo foi frustrado no documento aprovado na plenária da Rio+20, que não considerou a possibilidade de financiamento para a proteção social e postergou, para 2015, a proposta de deliberação de um percentual do PIB para os países em desenvolvimento. Nesse sentido, o encontro expressou a falta de vontade de governos de construir uma governança global para o combater à pobreza e postergou, uma vez mais, decisões sobre o assunto.

IHU On-Line – Que programas brasileiros contemplam a conservação do patrimônio cultural? Nesse sentido, quais são hoje as políticas públicas que consideram essa temática?

Silvia Zanirato
 – As políticas que consideram essa temática são políticas conjugadas de promoção da moradia e de conservação do patrimônio cultural. São três programas que contemplam essa questão e veem o patrimônio cultural comomoradia, recorrendo para tanto aos entendimentos sobre habitação de interesse social: o Programa de Arrendamento Residencial (PAR), o Programa Nacional de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais e o Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas (PAC – Cidades Históricas).

Programas 

O primeiro é um programa criado em 1999, com a expectativa de atender às necessidades de moradia da população de baixa renda – entre 3 e 8 salários. Ele visa à promoção de habitação social nas áreas centrais, através da reutilização de antigas estruturas para o uso habitacional. Inicialmente funcionava como um leasing, por um período de 15 anos, com opção de compra ao final do prazo contratado. A Caixa Econômica Federal permanecia como proprietária fiduciária do imóvel durante o período do arrendamento. Em maio de 2007 essa norma foi alterada e possibilitou a transformação do Programa em um financiamento convencional.

No entanto, há dificuldades em fazer funcionar esse Programa. Uma delas se explica pelo valor do financiamento. Em 2008 o valor da taxa de arrendamento estava em torno de R$ 200,00, um valor inferior a um aluguel de um imóvel com as mesmas condições de habitabilidade e de localização. O valor máximo para a compra estava em R$ 40.000,00. Disso resultou que, até abril de 2008, foram financiadas apenas 1.425 unidades em 26 edifícios localizados nas áreas centrais de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre e Pelotas.

Em 2011 o valor máximo para financiamento de imóvel em São Paulo e Rio de Janeiro foi reajustado para 48.000,00 reais a fim de beneficiar famílias com renda mensal de até 2.200,00 reais. Novamente um valor inferior ao que o mercado estabelece.

Também na relação entre patrimônio e habitação de interesse social há o Programa Nacional de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais, criado em 2003, com o objetivo de enfrentar o problema do esvaziamento dos centros das cidades, combater a subutilização da infraestrutura existente, a perda do valor econômico dos imóveis e a degradação do patrimônio cultural.

O Programa procurou destinar imóveis públicos para habitação de interesse social e elaborar e implementar um serviço de moradia social através da locação social. Para isso foi assinada em abril de 2006 uma Medida Provisória que visava retirar entraves jurídicos e aperfeiçoar a legislação patrimonial, desburocratizando a entrega de títulos de propriedade de imóveis vazios e subtilizados às famílias de baixa renda. Mas a ação se efetivou em alguns imóveis públicos pertencentes ao INSS, à RFFSA e à União.

Competências municipais

Paralelamente a isso, a gestão do uso e ocupação do solo bem como a política urbanística são competências municipais, pois é o município, através do Plano Diretor e de legislação pertinente, que deve impor ao proprietário de área subutilizada ou não utilizada a utilização do imóvel, de modo a induzir a ocupação de áreas já dotadas de infraestrutura e equipamentos. Isso também impede a efetividade das ações, pois muitas vezes o município não tem conhecimento ou força política suficiente para fazer valer a utilização de imóveis e a implantação desse Programa.

terceiro programa é o Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas, que visa a atuar em 173 cidades, localizadas em todos os estados brasileiros, que tenham lugares registrados como Patrimônio Cultural do Brasil. O objetivo do PAC  Cidades Históricas é o de promover a reabilitação de imóveis e a requalificação de espaços urbanos onde haja imóveis protegidos como patrimônio e viabilizar ações de saneamento ambiental, de melhoria do transporte público. Há também a preocupação com a implantação de habitações sociais nesses espaços, o que é considerado como uma forma de inclusão social e também um meio para estancar os processos de esvaziamento populacional e funcional de centros históricos. Num primeiro momento, 187 cidades se candidataram, 141 finalizaram a elaboração no primeiro ano do programa, e 110 assinaram os acordos de execução.

Desafios

Segundo o IPHAN e o Ministério das Cidades, uma análise preliminar das propostas mostra as dificuldades dos municípios quanto à definição de estratégias para implementação das ações e a necessidade de capacitação de gestores e técnicos, de modo a definir estratégias adequadas ao perfil das cidades.

Para piorar ainda mais, no primeiro ano do PAC – Cidades Históricas houve uma forte limitação de recursos, resultante da contenção orçamentária do governo federal.

Todos esses entraves revelam as dificuldades existentes ao se relacionar políticas urbanas com conservação do patrimônio. Revelam também os entraves relativos ao combate à pobreza, elementos que ainda permanecem como secundários às políticas públicas.

IHU On-Line – Quais os principais desafios das cidades do Brasil e do mundo, em geral, quanto à moradia a partir desta visão de sustentabilidade?

Silvia Zanirato 
– O maior desafio é o de se ter vontade política suficiente para reverter a situação de exclusão social, de se ter coragem de enfrentar os interesses do mercado imobiliário e considerar o solo não por seu valor de troca, mas pelo valor de uso, uma condição necessária para a sobrevivência digna da humanidade. Enfrentar esses desafios é a condição para se implementar políticas capazes de mudar essa situação e garantir o direito à habitação digna aos excluídos. 

É sabido que a inexistência de políticas eficazes de acesso à moradia para a população pobre e a baixa renda por ela usufruída têm como consequência sua incapacidade em pagar os custos de uma habitação mais adequada, o endividamento, a restrição de suas escolhas no mercado habitacional e a ocupação de moradias inadequadas em assentamentos informais. Resta a ela os cortiços, as favelas, os loteamentos clandestinos.

27 de jun de 2012

InfoAmazonia é lançado para a Rio+20

((o)) eco
http://www.oeco.com.br/noticias/26157-infoamazonia-e-lancado-para-a-rio20?utm_source=newsletter_426&utm_medium=email&utm_campaign=as-novidades-de-hoje-em-oeco


Na noite do dia 17 de junho, ((o))eco e a Internews lançaram o InfoAmazonia, uma ferramenta que usa para mapas para contextualizar dados e notícias sobre a região amazônica, alimentados por uma rede de ONGs e jornalistas. O InfoAmazonia aborda assuntos que vão desde o desmatamento causado pela indústria extrativista até questões indígenas. 

Gustavo Faleiros, Coordenador do projeto, apresenta o site no dia do lançamento

O lançamento se deu três dias antes do início oficial da Rio+20, onde os desafios ambientais estiveram no topo da lista de prioridades da conferência. A iniciativa existe graças a Knight International e a Climate and Development Knowledge Network. ADevelopment Seed, especializada em mapeamento e visualização de dados, juntou forças com ((o))eco e a Internews para desenvolver uma estratégia para o site, construí-lo e fornecer a cartografia, bem como treinar os jornalistas locais em como utilizar as ferramentas disponíveis no site.

Notícias contextualizadas
Quando alguém abre o site pode logo ver as notícias mais recentes em um mapa. As notícias podem ser encontradas em português, espanhol e inglês, refletindo o fato da Amazônia estar presente em 9 países sul-americanos e ser também de interesse mundial. O mapa inicial apresenta todas as notícias disponíveis no InfoAmazonia, e ao selecionar uma notícia, ela é aberta em um painel na lateral da página. O mapa oferece três camadas que a contextualizam através de informações geográficas em alta resolução sobre cidades, estradas, infraestrutura, desmatamento, incêndios florestais, campos de petróleo e concessões de mineração. No topo do mapa, há uma opção de filtrar as notícias pelas principais fontes que fornecem histórias para o InfoAmazonia e também pelas notícias enviadas pelos leitores do site. Logo abaixo do mapa, as notícias podem ser vistas em ordem cronológica, com as mais recentes aparecendo primeiro. Todos os artigos, junto com seu mapa, podem ser inseridos em uma página como se fosse um vídeo do YouTube.

Este é um exemplo da página inicial, com a notícia em destaque e posicionada no mapa.


Nesta imagem podemos ver informações sobre o desmatamento. As áreas verdes representam a altura da floresta, as áreas hachuradas o desmatamento antigo e os pontos em amarelo o desmatamento recente. Também está marcada a infraestrutura que influencia a destruição da floresta.



As legendas explicam cada elemento do mapa e listam suas fontes.



Este mapa mostra que incêndios geralmente ocorrem em áreas com maiores índices de desmatamento. O mapa de calor indica a frequência do fogo, com os círculos vermelhos mostrando incêndios em maio e os círculos amarelos mostrando grandes incêndios ocorridos nos últimos 12 anos.



Os poços de petróleo e áreas de mineração representam riscos ambientais em potencial, e abrem a floresta para mais exploração no futuro. As concessões de mineração estão em conflito com áreas protegidas, como é possível pode ver neste mapa. O verde representa as áreas protegidas, os quadrados azul-claro são concessões para a pesquisa e o azul escuro áreas de mineração em progresso.



Qualquer pessoa pode enviar notícias

O InfoAmazonia convoca seus leitores e jornalistas-cidadãos a apresentar links para histórias ligadas aos temas abordados pelo projeto. O site usa um formulário simples do Google que alimenta uma planilha de onde os editores do InfoAmazonia podem avaliar o conteúdo submetido e publicá-lo no site.

Use os dados

O objetivo do InfoAmazonia é propagar o uso de dados para descobrir e contextualizar notícias. O Brasil disponibiliza amplas bases de dados, que fornecem aos jornalistas uma nov e rica fonte de pautas. Os mapas do InfoAmazonia usam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da NASA, do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), do Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil, do Ministério dos Transportes do Brasil, do ImazonGeo e do OpenStreetMap. Todos esses dados são listados e disponibilizados no site para que seu acesso seja mais conveniente.

Para ajudar os jornalistas a começarem a trabalhar com dados geográficos, foi organizado um treinamento em conjunto com a Internews, o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas e ((o))eco durante um fim de semana no Rio de Janeiro.

Jornalistas sendo treinados no uso de ferramentas de geo jornalismo na sede do iBase, no Rio de Janeiro


Construído com Jekyll e MapBox

Mesmo o site sendo altamente interativo, ele foi criado usando o gerador de sites Jekyll para evitar que ficasse dependente de um banco de dados ou de páginas geradas dinamicamente por um servidor. Todo o conteúdo é gerenciados por planilhas do Google, convertido para GeoJSON e montado no navegador do usuário. Todos os mapas foram feitos com o TileMill e hospedados noMapBox.

Visite o InfoAmazonia na web e acompanhe suas atualizações no Twitter.




*Alex Barth é desenvolvedor sênior da 
Development Seed. Além disso, gosta de criar robôs interativos, interfaces de realidade virtual e testou antenas wi-fi de longo alcance na América Central. Siga Alex Barth no twitter.

19 de jun de 2012

O jornalismo investigativo em risco

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed699_o_jornalismo_investigativo_em_risco


WATERGATE, 40 ANOS

O jornalismo investigativo em risco

19/06/2012 na edição 699
Tradução e edição: Leticia Nunes
   
Quarenta anos após o caso Watergate, o jornalismo investigativo está ameaçado, afirma Leonard Downie Jr. em artigo no Washington Post [7/6/12]. O jornalista, que hoje atua como professor na Escola Walter Cronkite de Jornalismo e Comunicação de Massa da Universidade do Estado do Arizona, trabalhou no Post por 44 anos, ocupando o cargo de editor-executivo de 1991 a 2008, e é membro da vice-presidência da Washington Post Company.
Ele afirma que o jornalismo investigativo não nasceu com o Watergate, mas tornou-se mais forte no jornalismo americano – e se espalhou consistentemente pelo mundo – em grande parte por conta do episódio que derrubou o presidente Richard Nixon na década de 70. Na ocasião, os jovens repórteres do Post Bob Woodward e Carl Bernstein descobriram um esquema de espionagem política que envolvia a invasão do Comitê do Partido Democrata no edifício Watergate, em Washington.
Quarenta anos mais tarde, diz Downie Jr., o futuro da reportagem investigativa “está em risco na caótica reconstrução digital do jornalismo nos EUA”. Ele resume o problema: o longo e dispendioso processo de produção de reportagens investigativas tornou-se um peso para redações cada vez mais enxutas, na medida em que os jornais, em crise, lutam para se reinventar e sobreviver.
História
Downie Jr. lembra que o jornalismo investigativo “hibernou” durante as duas guerras mundiais, a Grande Depressão e o macartismo. Mas, a partir da década de 60, começou a renascer diante dos movimentos pelos direitos civis, a contracultura e contra a Guerra do Vietnã. “Eu estava entre um pequeno, mas crescente, número de repórteres investigativos em jornais espalhados pelo país”.
O Conselho do Pulitzer, premiação jornalística de maior prestígio nos EUA, criou a categoria de reportagem investigativa em 1964. No ano anterior, as três grandes emissoras de TV do país haviam ampliado seus jornais noturnos de 15 para 30 minutos, e já começavam a exibir documentários investigativos no horário nobre. A decisão da Suprema Corte, em 1964, no caso New York Times vs. Sullivan – que determinou que quem acusa um veículo jornalístico de difamação ou calúnia deve provar que o acusado sabia que a informação era falsa ou que agiu de má-fé– dificultou a vitória fácil de autoridades investigadaspela imprensa em casos de calúnia e difamação; e o Ato de Liberdade da Informação, aprovado pelo Congresso em 1966, facilitou a busca dos repórteres por informações vitais para seu trabalho.
Caminho longo
Ainda assim, em 1972, meses após a invasão no edifício Watergate, Woodward e Bernstein exploravam a história sozinhos. O Post “foi ignorado e posto em dúvida pelo resto da mídia e pela maior parte do país”, lembra Downie Jr. O jornal enfrentava ainda ataques pesados do governo Nixon e seus partidários. “Foi um momento tenso para nós que trabalhávamos com Bob e Carl, com nossa credibilidade e o futuro do nosso jornal em risco”.
À medida que o caso foi se desenrolando, no entanto, jornais como o New York Times e o Los Angeles Times, além da CBS News, começaram a fornecer uma “quase bem-vinda competição”. Pouco mais de uma semana antes da reeleição de Nixon, em novembro de 72, o âncora Walter Cronkite dedicou 15 minutos do Evening News, telejornal mais importante da CBS, ao caso Watergate, em grande parte mostrando artigos doWashington Post.
Quando Nixon finalmente renunciou à presidência, em 1974, agentes do FBI, promotores e o Congresso haviam todos representado papeis importantes no processo de responsabilizá-lo por crimes de espionagem política. “Mas, mesmo depois de décadas de dúvidas sobre os detalhes, mistérios e significados de Watergate, o papel de Woodward e Bernstein continua crucial”, afirma Downie Jr.
Para o jornalismo, diz ele, a cobertura do caso e o livro Todos os Homens do Presidente – que depois virou filme – tiveram um grande impacto. “Inspirados por Watergate, gerações de jovens jornalistas entraram na profissão para se tornar repórteres investigativos”, lembra. Jornais, revistas e emissoras de TV também passaram a investir no jornalismo investigativo. Jornalistas, como o próprio Woodward, expandiram suas apurações para livros com descobertas e denúncias sobre os mais variados temas de interesse público. O tempo foi passando, e jornalistas-cidadãos ocuparam a internet com colaborações de conteúdo em blogs e nas redes sociais.
O jornalismo investigativo foi, assim, ocupando lugar de destaque em todas as áreas da sociedade americana – do governo e a política ao mercado financeiro, cultura, educação e esportes . “Há, desde Watergate, uma expectativa de que a imprensa irá tornar responsáveis por seus atos aqueles com poder e influência sobre nós”, diz.
Receita básica, mas eficiente
As técnicas de Woodward e Bernstein não eram originais, mas eram simples e acabaram se tornando cruciais para o jornalismo investigativo: torne-se um especialista no tema que cobre. “Bata em portas para falar com fontes pessoalmente. Proteja a confidencialidade de fontes quando necessário. Nunca confie em uma única fonte. Encontre documentos. Siga a trilha do dinheiro. Coloque cada informação em cima da anterior até que seja possível discernir um padrão”, enumera Downie Jr. Há alguns anos, lembra ele, a jornalista Dana Priest, também do Post, usou estes mesmos métodos para revelar a existência de prisões secretas da CIA no exterior onde suspeitos de terrorismo sofriam interrogatórios agressivos.
O caso Watergate ajudou a transformar alguns jornalistas investigativos, a exemplo de Woodward, em nomes de peso e marcas lucrativas. Eles fechavam bons contratos para escrever livros e artigos em revistas, para fazer discursos e eram chamados com frequência para aparecer na televisão. Muitos buscavam desesperadamente por seu próprio Watergate – e qualquer pequeno escândalo passou a receber o sufixo “gate”. Diante desta corrida investigativa, governos, políticos, juízes e executivos de grandes empresas reagiram com processos, intimações e investigações para descobrir as fontes de vazamentos de informações confidenciais.
Mas os melhores repórteres investigativos, diz Downie Jr., tornaram-se mais sofisticados, ajudados pelos computadores, pela internet e pelo treinamento fornecido pelo grupo de Repórteres e Editores Investigativos, que ele próprio ajudou a fundar em 1975. “O jornalismo deles foi mais fundo, explicando enquanto faziam revelações, às vezes dando soluções enquanto expunham problemas”, resume. Desta forma, este jornalismo ajudou a resolver falhas na sociedade.
Downie Jr. lembra que os tempos continuam perigosos. Por isso, o jornalismo investigativo continua tão essencial para a democracia quanto Watergate foi há 40 anos. Entretanto, diz ele, o impacto da mídia digital e as migrações do público e da receita publicitária prejudicaram o modelo de negócios que financiava grande parte das reportagens investigativas até o fim do século 20. “Este tipo de reportagem continua a ser prioridade em muitos jornais em dificuldade financeira, que continuam a produzir jornalismo de qualidade relevante para suas comunidades – mas eles têm menos funcionários e recursos para devotar a ele”, afirma Downie Jr. Por outro lado, a maior parte da cobertura investigativa em emissoras de TV – que também lutam para manter seu público e receita – consiste em matérias que, basicamente, têm como prioridade aumentar os índices de audiência.
Alternativas para o futuro
Neste cenário surgem as organizações independentes de jornalismo investigativo, normalmente fundadas por jornalistas que deixaram os veículos comerciais tradicionais. Entre as mais conhecidas estão a ProPublica, em Nova York; Texas Tribune, em Austin; California Watch, com escritórios em todo o estado; e a Voice of San Diego. Estas organizações são financiadas por fundações de caridade, filantropos, pequenos doadores e escolas de jornalismo. A maioria tem pequenas equipes e orçamento modesto. “Mas seu entusiasmopor sua missão me lembra dos repórteres e editores do Washington Post que cobriram Watergate quatro décadas atrás”, diz Downie Jr. “Parte de seu jornalismo já conseguiu ter impacto local e nacional. Seu tráfego online é relativamente pequeno, mas algumas conseguiram audiências muito maiores ao ter suas matérias publicadas e exibidas por jornais, emissoras de TV e rádios públicas”.
“Este aniversário de Watergate certamente evocará matérias do tipo ‘onde estão eles agora’, mais recordações dos personagens que ainda estão entre nós e mais dúvidas sobre o que aconteceu há 40 anos. O jornalismo e o público americano estariam mais bem servidos se a ocasião também fosse usada para se reconhecer e difundir a importância do jornalismo investigativo em nossa democracia – e a necessidade de garantir que ele sobreviva e prospere na desarmonia digital”, conclui o jornalista.

18 de jun de 2012

José Afonso Portocarrero e o espaço sustentável.

FAPEMAT CIÊNCIA
http://www.revistafapematciencia.org/noticias/noticia.asp?id=392
José Afonso Portocarrero é o responsável por um planejamento arquitetônico que propõe a criação de um espaço sustentável.


Tecnologia
Será possível?
14/06/2012 11:12
À primeira vista, parece um campo de futebol, mas trata-se do projeto do novo campus da UFMT em Várzea Grande.
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) está desenvolvendo um projeto inovador para a construção do novo campus em Várzea Grande. O professor e arquiteto José Afonso Portocarrero é o responsável por um planejamento arquitetônico que propõe a criação de um espaço sustentável. As ideias do pesquisador foram expostas em um evento que discutiu a implantação da nova unidade acadêmica (leia mais aqui). O encontro aconteceu no auditório da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (FAET) da UFMT e contou com a participação de servidores dos quatro campi e representantes da sociedade civil.
O terreno do novo campus da UFMT fica na região da Passagem da Conceição, onde a instituição oferecerá, inicialmente, cinco cursos: Engenharia de Transporte, Engenharia de Minas, Engenharia da Computação, Engenharia de Automação e Controle e Engenharia Química. A verba para concretizar o projeto é de R$ 48 milhões.
Caso a proposta saia do papel, o prédio, que adota o sistema pilotis (edificação sustentada por pilares ou colunas), não vai precisar de ar-condicionado nas salas, a iluminação será natural e a água, reutilizável. Um ambiente ecologicamente correto. “O prédio pode custar mais na construção, mas vai representar economia depois de pronto”, explica o professor. Ele aponta que a universidade gasta em torno de R$ 800 mil mensais em energia em seus quatro campi.
O projeto arquitetônico prevê construção de um anel (círculo) que ocuparia 12 mil m². São 100
O desenho da construção vai favorecer a circulação de ar dentro as salas. É um dos trunfos para garantir um espaço quase livre de aparelhos de ar-condicionado, apesar de todo o calor de Várzea Grande.
salas genéricas, a serem distribuídas aos cursos de engenharia e tecnologia. A prefeitura, quadras esportivas, piscinas, teatros seriam satélites, ou seja, ficariam na parte de fora do anel. À medida que novos cursos forem criados, outros anéis serão erguidos. O terreno tem 800 mil m² e é grande o bastante para agregar vários modelos como esse, diz o autor do projeto.
A estrutura da laje também será aproveitada com a implantação de um telhado verde. Esse tipo de construção já foi tema de reportagem da Revista Fapemat Ciência (leia aqui) e traz diversas vantagens para as edificações. A cobertura verde seria a principal responsável pelo clima ameno nas salas, que, salvo exceções, não vão precisar de ar-condicionado.
Irão se aliar ao telhado verde para deixar o clima fresco, janelas grandes nas duas laterais do edifício. Elas permitirão ventilação cruzada e arejamento natural do ambiente. Concomitantemente, dutos serão implantados vindos do subsolo para ajudar a climatizar as salas. O professor explica que, num nível de 3 metros abaixo da terra, a temperatura se mantém quase constante, em aproximadamente 20°C. Os condutores vão insuflar o ar e levá-lo à superfície por meio de exaustores eólicos a serem instalados na cobertura. O duto, construído debaixo do edifício, teria cerca de dois metros de diâmetro. “A laje também vai ter beiral, que sombreia o prédio e reduz a temperatura”, explica.
Portocarrero conta que o terraço poderá ser um local de lazer para visitantes e de pesquisa para professores. Estes poderão fazer medições, observação de estrelas, além de experimentos que precisem da exposição ao sol, em lugares reservados na laje.
O terreno do novo campus da UFMT fica na região da Passagem da Conceição e tem 800 mil m².
No centro do anel, vai permanecer a paisagem natural do cerrado. Na região prevalece a árvore da espécie conhecida como lixeira. A informação é da professora da UFMT e engenheira sanitarista Eliana Rondon. Ela também lançou ideias para a reutilização da água, inclusive as águas cinzas, popularmente chamadas de esgoto. Depois de tratadas, elas poderiam ser usadas na criação de peixes e irrigação de viveiros.
Todas essas ideias, no entanto, podem sofrer inúmeras alterações. Isso porque os debates estão só começando. Nos próximos meses os projetos, arquitetônico e pedagógico, vão receber contribuição de toda a comunidade. Os grupos de trabalho são abertos e os professores disponíveis a ouvir sugestões.
Para saber as datas dos GTs ou obter mais informações, entre em contato com a Pró-reitoria de Ensino de Graduação da UFMT pelo telefone 3615-8101 ou pelo e-mail proeg@ufmt.br.
Valérya Próspero / Imagens: Divulgação e Revista Fapemat Ciência

Sol em vez de diesel – o hospital sustentável no Senegal

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http://www.oeco.com.br/multimidia/videos/26117-sol-em-vez-de-diesel--o-hospital-sustentavel-no-senegal?utm_source=newsletter_418&utm_medium=email&utm_campaign=as-novidades-de-hoje-em-oeco



No sul do Senegal, o abastecimento de energia geralmente é feito através de baterias e geradores movidos a gasolina ou diesel, que agridem o meio ambiente. Agora, no entanto, os moradores dos vilarejos locais apostam na força solar.

Empresas alemãs da indústria fotovoltaica ajudam na iniciativa. Já está em funcionamento o abastecimento elétrico com módulos solares em um hospital e para carregadores de baterias para lâmpadas e telefones celulares. O petróleo se tornou dispensável.

Um filme de Karl Harenbrock