24 de ago de 2012

Diamante desenvolve projeto de Mapeamento Social de Grupos, Conflitos e Projetos Ambientais

universo da notícia
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Diamante desenvolve projeto de Mapeamento Social de Grupos, Conflitos e Projetos Ambientais


Da Assessoria

No dia 18 e 19 de agosto a equipe GpeeaBio (Grupo de Pesquisa e Estudos em Educação Ambiental – Espaço Verde) coordenada pela Proofa. MSc. Anelize Queiroz Amaral, iniciou uma grande conquista que vêm sendo trilhada há 4 anos. Um grupo que teve seu inicio marcado em uma conversa informal entre 8 amigos de forma voluntária, hoje mostra força e crescimento por meio de uma equipe formada por 29 acadêmicos em formação inicial,  2 professoras da rede de Educação Básica em formação continuada e diversos voluntários de outras entidades que juntos vêm atuando em diversas comunidades da Bacia do Paraná 3 (BP 3) e demais regiões do Paraná.
O projeto Mapeamento Social de Grupos, Conflitos e Projetos Ambientais foi elaborado ao longo de 2011 e 2012 em parceria com o grupo GPEA (Grupo Pesquisador de Educação Ambiental) da Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT, com o objetivo de construir o mapeamento social do município de Diamante do Oeste, com o intuito de conhecer seus diversos grupos sociais no sentido de desvelar seus territórios e identidades, evidenciando os conflitos e injustiças ambientais; como também, as práticas de um convívio mais sustentável e cuidadoso.
Diante desses apontamentos, o projeto teve seu inicio de forma muito acolhedora pelo município de Diamante do Oeste-PR que os recebeu em reunião com os representantes da prefeitura local para apresentação do projeto e firmar a parceria, e também na viagem precursora onde foi iniciado um diagnóstico com  a continuidade das próximas atividades. Esse contato foi viabilizado pelos gestores da Bacia do Paraná 3, onde a prefeitura municipal apoiou a equipe com alojamento, transporte e alimentação, sendo que o transporte até o município foi cedido pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste.

Dessa forma, o GpeeaBio pode chegar aos lugares mais distantes da região urbana: 16 comunidades, 2 aldeias indígenas e 1 assentamento diagnosticando anseios, conflitos ambientais, necessidades, fragilidades, crenças e projetos que vêm sendo realizados de maneira brilhante por diversos seguimentos, entre eles destaca-se projetos e programas de Itaipu Binacional.
           
Após essa primeira etapa do diagnóstico,  a equipe constatou a necessidade da realização de oficinas e palestras que ocorrerão ao longo desse ano aos finais de semana.

Acredita-se que essa experiência irá proporcionar a toda equipe experiências motivadoras que sem dúvida nos tornam cidadãos cada vez melhores e com motivos suficientes para continuar lutando por um planeta mais justo e humano, em contrapartida acredita-se que nossa presença no município irá contribuir para a prevenção ao uso de drogas, reflexão com relação à equidade de gênero, inclusão universitária, acesso a tecnologia, projetos ambientais e valorização cultural por meio de oficinas, que foram diagnosticadas nessa viagem precursora como sendo necessidades do município. 

23 de ago de 2012

Áreas úmidas desprotegidas

revista fapemat
http://www.revistafapematciencia.org/noticias/noticia.asp?id=452


Conbrau
Áreas úmidas desprotegidas
21/08/2012 12:41
Apesar de serem reconhecidas como berços da vida, as áreas úmidas ainda não contam com uma legislação específica de proteção no Brasil.
O novo Código Florestal Brasileiro, com suas atuais revisões, Lei nº 12.651 de 25 de maio deste ano, pode representar um grande vilão para as áreas úmidas (AUs) do país. Esse assunto foi amplamente discutido durante o Congresso Brasileiro de Áreas Úmidas (Conbrau), realizado em Cuiabá entre os dias 8 e 10 de agosto. O doutor Wolfgang J. Junk7, pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), norteou as discussões e apontou os retrocessos que o atual Códig traz para as áreas úmidas (AUs).
Wolfgang ressalta, antes de tudo, os inúmeros benefícios que as áreas úmidas proporcionam ao planeta. As AUs permitem a limpeza da água e a recarga do lençol freático, além de serem responsáveis pela regulação do clima local, dos sistemas hidrológicos e dos ciclos bioquímicos e de estocagem de carbono. Favorecem, ainda, a manutenção da biodiversidade, sendo habitats para inúmeras espécies de plantas e animais. Esses sistemas também fornecem meios de vida para populações humanas tradicionais, com a pesca, agricultura de subsistência e produtos madeireiros e não madeireiros.
Porém, a nova Lei reduz as áreas de preservação permanente ao longo de rios e tem uma interpretação de que a proteção desses locais deve estar baseada nos níveis mais baixos de água, ou seja, nos períodos de seca. Segundo Junk, essa leitura pode acabar com as AUs do Brasil. “As áreas úmidas são as margens inundáveis ao longo dos rios. Se levarmos em consideração apenas o nível mínimo destruiremos toda a região que inunda e, com isso, acabaremos com as AUse a biodiversidade que habita nelas. É mesma coisa que alterar a paisagem do Pantanal pensando apenas na época de seca”, aponta.
As AUs podem ser as áreas planas com uma drenagem fraca, onde a chuva cai e inunda o local, formando grandes poças que demoram a secar. As áreas úmidas também são formadas por locais que são inundados por meses com água de chuva. Com exemplo desses sistemas temos as várzeas, os igapós, os campos úmidos, as veredas e os brejos. Nessas regiões, quando chega a seca, a água vai escoando vagarosamente para os rios, reabastecendo também os lençóis freáticos. Portanto, as AUs são formadas pelas fases de seca e cheias, e, segundo o pesquisador, enquanto não levarmos todo o sistema em consideração, acabaremos fazendo escolhas erradas de preservação.
Junk ressalta que as áreas úmidas cobrem entre 8,3 e 10,2 milhões de km2da superfície do mundo inteiro. Na América do Sul, elas representam 20% da cobertura do solo, sendo que no Brasil as AUs estão presentes em todos os biomas. “Nós temos uma imensa representação dessas áreas, sabemos da sua importância e não temos nenhuma legislação que as cubra de maneira adequada. Falta uma definição do que são áreas úmidas e as utilizações das AUs deveriam ser inseridas na Lei. As terminologias devem considerar, principalmente, o nível mais alto de cheia do ano”, acrescenta o pesquisador.
Esses sistemas estão sujeitos a uma série de outras ameaças, como a mudança das características das AUS em áreas voltadas para a agropecuária e construção civil. A poluição por esgotos e resíduos particulares domésticos, industriais e de mineração também se tornam um problema. Outra ameaça é a construção de hidrelétricas, que modificam a dinâmica das águas, interrompendo a ligação entre as áreas inundadas e os rios e alterando o fluxo de inundação rio abaixo. A construção de hidrovias e diques e a exploração indevida dos recursos naturais também causam danos.
Segundo o cientista, uma mudança que pode ser notada com a destruição das AUs são as alterações do clima global a médio e longo prazo. “Nos últimos anos percebemos secas e inundações extremas. Se pegarmos a oscilação de água podemos verificar que, nos últimos 10 anos, tivemos um acumulo de enchentes muito altas. Porém, nós não podemos confirmar 100% que isso corresponde às mudanças nas AUs. De qualquer forma esse é um ponto que devemos levar em consideração, porque todo o ecossistema depende da água. Caso não tenha água o ecossistema se altera” afirma Junk. Outro risco é que, sem as AUs, menos água é reabsorvida para o lençol freático – ocasionando desabastecimento.
Porém, para o pesquisador, todas essas ameaças estão ligadas a uma maior, que é a falta de uma legislação específica para as áreas úmidas brasileiras. Para ele, uma nova Lei deveria se basear em conhecimentos científicos mais recentes e que incluam o manejo sustentável das Aus. “Tem cálculos recentes que apontam que todo o lucro conquistado pela China não será suficiente para recuperar os danos ambientais causados no país. Nós não precisamos entrar nessa corrida. Se desenvolvermos uma legislação que respeite o meio ambiente e investirmos um pouco mais poderemos diminuir os problemas e as ameaças do Brasil”, aponta Junk.
O pesquisador ainda defende que o uso de áreas alagáveis deve se restringir às comunidades ribeirinhas, indígenas e tradicionais. Essa atuação deveria ser regulamentada por meio de Portarias, de acordo com o conhecimento científico a disposição. “Eu não acho, com a diversidade de habitats existentes, que grandes indústrias deveriam entrar nas AUs. Isso seria um fracasso, devido ao uso de pesticidas e fertilizantes em grandes quantidades, Com a existência destes produtos nas áreas de inundação, na época da cheia eles serão levados pelas águas e poderão acabar com o estoque pesqueiro. Então deveríamos pensar bem quem deveria utilizar essas áreas”, acrescenta.
Segundo o pesquisador, o processo político em andamento indica que as propostas levantadas terão poucas chances de serem incorporadas ao Código Florestal. Ele acrescenta que este não é um motivo para frear os esforços dos cientistas na luta por uma legislação especifica para as AUs brasileiras. “O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas (INAU), que tem sede em Cuiabá, está tomando a liderança na discussão sobre esse tema. O próximo passo é montar um grupo de trabalho com a tarefa de elaborar um rascunho que discuta as definições e propostas sobre esse sistema. Depois nós vamos circular esse papel técnico e divulgar para a sociedade e os políticos. O principal objetivo disso é criar uma grande discussão pública sobre essas questões, tudo para elaborar propostas que criem a base de uma política moderna para as AUs”, afirma.
Adrielle Rodrigues / Foto: Wild Life Conservation Society


Cientistas apontam falhas na Lei do Pantanal

revista fapemat
http://www.revistafapematciencia.org/noticias/noticia.asp?id=453


Meio ambiente
Cientistas apontam falhas na Lei do Pantanal
22/08/2012 10:53
Os cientistas integrantes do INAU contestam as propostas do projeto de lei.
projeto de lei (PL) 750/201, conhecido como Lei do Pantanal, proposto pelo senador Blairo Maggi (PR/MT), foi alvo de várias críticas por parte da comunidade científica em debate realizado no Congresso Brasileiro de Áreas Úmidas (Conbrau), evento realizado em Cuiabá. Quem apresentou os artigos presentes no PL foi o representante do senador republicano, ex-secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso, Luiz Henrique Daldegan.
O projeto está sob análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e até o final do ano deve ir para a discussão junto à sociedade por meio de audiências públicas, que vão acontecer em cada Estado do país. Apesar da proposta de lei ter sido discutida com a participação dos cientistas, o pesquisador Wolfgang Junk, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas (Inau), afirma que o modelo submetido no Senado não levou em consideração as pontuações dos estudiosos do Pantanal. Segundo o ex-secretário, isso acontece pelo fato de outras entidades também participarem e manifestarem suas opiniões sobre o assunto. No fim, o consenso desses outros grupos pode não condizer com a visão dos cientistas.
A comunidade científica presente no debate também não escondeu seu descontentamento e preocupação com o que pode acontecer com a região se a lei entrar em vigor. Conforme Junk, da forma como está, 80% do Pantanal ficará desprotegido. Isso porque, assim como o Código Florestal, a lei considera como Áreas de Proteção Permanente (APP) as margens dos rios no período da seca e não da cheia, como os cientistas defendem. A pesquisadora Cátia Nunes, coordenadora do laboratório de biodiversidade do Inau, considera que a novade lei não pode ser encarada como proposta para um sistema de áreas úmidas, como no caso da Bacia do Alto Paraguai.
Outro assunto que os estudiosos querem atenção e está previsto no PL é a moratória de cinco anos, tanto para pesca profissional como amadora,  nos rios do Pantanal. O objetivo é estimular o repovoamento natural dos rios. A suspensão da atividade, no entanto, é questionada pelos cientistas. Segundo eles, tal prática não tem nenhuma base de estudos que garanta eficiência. Eles reclamam, por exemplo, que a poluição dos rios e as barragens de hidrelétricas não foram consideradas e poderiam ter mais impacto do que a pesca.
A nomenclatura utilizada durante todo o texto do PL também estaria confusa. Em documento entregue ao representante do Senador Blairo Maggi, os pesquisadores perguntam, por exemplo, qual a diferença entre “Planície Alagável da Bacia do Rio Paraguai” e “Planície Alagável do Pantanal”, que são citados sem fazer distinção e também a diferença entre Área de Preservação Permanente e Área de Conservação Permanente, cuja diferença não possuiria nem mesmo definição constitucional.
A própria significação de Bioma existente no PL é questionada pelos cientistas. Segundo eles, o Pantanal não é um Bioma, pois não pode ser isolado para proteção. É um sistema que depende de todo o entorno e deve ser considerado enquanto bacia hidrográfica, formada pelos desníveis do solo que orientam os cursos da água das áreas mais altas para as mais baixas. Já o PL coloca o Pantanal como bioma. “Entende-se por Bioma Pantanal um conjunto de vida vegetal e animal, especificado pelo agrupamento de tipos de vegetação e identificável em escala regional, com influencia de clima, temperatura, precipitação de chuvas, pela umidade relativa, e solo que se localiza na bacia do Rio Paraguai”, diz o projeto de lei.
Os cientistas acreditam que o projeto de lei ainda deve ser muito discutido pela sociedade. O professor da Universidade Federal de Mato Grosso, Paulo Teixeira, disse que o grupo do Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP) e do INAU estarão à disposição para colaborar no debate, mas ressalta que também vão avaliar se as contribuições serão realmente aproveitadas pelo Legislativo.

22 de ago de 2012

MUDANÇAS CLIMÁTICAS E OS ‘CÉTICOS’

SBPC
http://www.sbpcpe.org/index.php?dt=2012_08_22&pagina=noticias&id=07614


 Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012
MUDANÇAS CLIMÁTICAS E OS ‘CÉTICOS’
Fonte: José Goldemberg, O Estado de São Paulo de 20.08.2012
Por incrível que pareça, estamos atravessando, neste início do século 21, uma onda de obscurantismo cultural e científico sem precedentes. Ela tem origem, principalmente, nos Estados Unidos, mas está se propagando pelo restante do mundo.

Ao mesmo tempo que os físicos estão conseguindo desvendar os mistérios da natureza com a descoberta do bóson de Higgs – “a partícula de Deus” -, a cientologia avança nos Estados Unidos e a teoria da evolução de Darwin é questionada nas escolas de vários Estados daquele país.

Algumas dessas crenças têm origem em pequenos grupos religiosos retrógrados que exploram a boa-fé de pessoas de baixo nível educacional, mas outras têm, claramente, motivações mais perversas e até interesses comerciais. A cientologia, em particular, é considerada uma religião nos Estados Unidos, sendo, portanto, isenta do pagamento de impostos. Alguns de seus ensinamentos atingem o nível do absurdo ao afirmarem que bilhões de seres de outras galáxias se apossaram dos seres humanos há dezenas de milhões de anos, quando ainda nem havia seres humanos, e continuam neles até hoje.
O que elas todas têm em comum, contudo, é o completo desconhecimento do que é ciência. Isso é o que está ocorrendo no momento também com os “céticos” que questionam o fato notório de que a ação do homem está provocando o aquecimento do planeta.

As bases científicas do aquecimento da Terra são simples: desde o início da Revolução Industrial, no início do século 19, os seres humanos passaram a consumir quantidades crescentes de combustíveis fósseis – carvão mineral, petróleo e gás natural -, cujo resultado é a produção de um gás, o dióxido de carbono (CO2), que é lançado na atmosfera, onde permanece por um longo período de tempo.
Sucede que esse gás é transparente e deixa a luz solar passar, atingindo o solo e aquecendo-o. O normal seria esse calor voltar para o espaço, porém isso não ocorre porque o dióxido de carbono não deixa o calor passar e voltar para o espaço. Com isso, todo o nosso planeta está ficando mais quente, como se verifica numa estufa onde se criam rosas ou vegetais no inverno.

Há muitas outras causas conhecidas para o aquecimento global, como as manchas solares, a inclinação do eixo da Terra, as erupções vulcânicas, etc. De fato, ao longo da existência do planeta – que se estende por bilhões de anos – houve grandes variações na temperatura e elas são bem entendidas pelos geólogos.

Acontece que, sobrepondo-se a essas causas naturais do aquecimento, existe a ação do homem, que consome combustíveis fósseis e lança gases na atmosfera. Esse fenômeno tem sido estudado por um grande número de cientistas há mais de 50 anos.

Para entender o que aconteceu até agora e tentar prever o que vai acontecer nas próximas décadas os cientistas construíram modelos de como o clima da Terra se comporta à medida que o tempo passa e a atmosfera se modifica com mais dióxido de carbono, originado da queima dos citados combustíveis fósseis. Nesses modelos, o que se faz é relacionar causa e efeito, que é a maneira como a ciência funciona. A causa é a presença de maiores quantidades de gases na atmosfera e o efeito, o aquecimento resultante do nosso planeta.

Há incertezas nas previsões científicas, mas com o passar do tempo elas estão ficando cada vez mais confiáveis e precisas. Por exemplo, James Lovelock, ídolo dos ambientalistas por suas ideias sobre a “hipótese Gaia” – que considera a Terra toda com características de um ser vivo -, não questiona a realidade do aquecimento global como resultado da ação do homem, mas sim a necessidade de mais pesquisa sobre o tema.

É contra essas evidências que se manifestam os “céticos”, cuja motivação não é clara. Alguns o fazem para atrair a atenção do público e outros podem estar sendo estimulados pelas indústrias que serão prejudicadas caso seja limitado o uso de combustíveis fósseis, que tem sido proposto por vários países.

Esses “céticos” não adotam o método científico ao fazerem as suas críticas. Eles simplesmente emitem opiniões e previsões esdrúxulas, como a de que a Terra estaria passando por um processo de resfriamento, em lugar de se aquecer, num futuro que eles não especificam. Cartomantes podem fazer isso, mas não cientistas.

Os “céticos”, a maioria deles sem formação científica na área de mudanças climáticas, conseguiram notoriedade nos Estados Unidos publicando artigos no Wall Street Journal (!). Alguns jornalistas mal informados frequentemente dão grande cobertura a essas pessoas porque elas provocam controvérsias que atraem os leitores. Para alguns, é considerado bom jornalismo que “se ouçam os dois lados”, o que é válido para muitos outros assuntos, como, por exemplo, a descriminalização da maconha ou as vantagens da introdução da pena capital para crimes hediondos, em relação aos quais existem opiniões divergentes.

Sucede que no caso do aquecimento global não há “dois lados”: o que existe são previsões científicas baseadas na ciência que conhecemos, que podem não ser perfeitas – como é todo o conhecimento científico -, mas têm avançado muito. O “outro lado”, de modo geral, utiliza informações pseudocientíficas, ou simplesmente dúvidas lançadas ao vento que não podem ser respondidas sem uma argumentação científica que não é adequada para programas populares.

Opiniões pessoais ou crenças religiosas devem ser respeitadas, mas argumentos incorretos que prejudicam a adoção de políticas públicas importantes – como as de prevenir o aquecimento da Terra reduzindo o consumo de combustíveis fósseis – são perniciosos e não atendem ao interesse público.

JOSÉ GOLDEMBERG É PROFESSOR EMÉRITO E EX-REITOR DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP), FOI SECRETÁRIO DO MEIO AMBIENTE DO GOVERNO FEDERAL E DO ESTADO DE SÃO PAULO

16 de ago de 2012

Cultivo que gera vida

revista da fapemat
http://www.revistafapematciencia.org/noticias/noticia.asp?id=448


Pesquisa
Cultivo que gera vida
15/08/2012 11:20
A energia que já faz parte do ambiente pode potencializar a produção de alimentos.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), até a metade do século a população mundial deverá atingir a incrível marca de 9 bilhões. Aestimativa é de que 80% dessas pessoas viverão nas grandes cidades. Os números apontam ainda que cerca de 80% das terras férteis de todo o mundo já estão em uso. A agricultura vem se preparando para isso, investindo maciçamente em pesquisa científica. Já vimos como as Fazendas Verticais podem contribuir para a solução do problema de abastecimento nas metrópoles.
As Fazendas Verticais se apresentam como uma solução para as áreas urbanas, mas podem ser um investimento desnecessário e pouco rentável para a região rural, além de não se encaixarem na paisagem. Por isso, outra técnica de cultivo tem se tornado atração entre os defensores da agricultura sustentável: o Sistema Agroflorestal (SAF).  Este método pode ser definido como a combinação de cultivos simultâneos e/ou consecutivos de espécies arbóreas com culturas agrícolas, hortaliças, frutíferas e mesmo a criação de animais.
“Quando você olha para uma floresta, como os organismos vivos se desenvolvem nesses sistemas? Existe uma lógica da diversidade, da sucessão de espécies, onde cada ser vivo tem uma função, um período de vida, um local onde melhor se desenvolve. A diversidade e a interação desses seres vivos, que é o modelo natural, podem ser potencializadas pela ação do homem, a partir da observação da natureza. Não é um modelo de monocultura”, explica o professor Oscar Sampaio, mestre em engenharia de alimentos pela Unicamp, professor da UFMT, coordenador do setor de Tecnologia Social e Economia Solidária do Escritório de Inovação Tecnológica (EIT).
Mais do que orgânico: natural
O grupo Semente, que é incubado no Escritório de Inovação Tecnológica (EIT) da UFMT, oferece cursos para pequenos agricultores aprenderem a utilizar o sistema.
No sistema agroflorestal busca-se reutilizar toda a energia que está disponível no ambiente para produzir mais energia. Os insumos para esse tipo de plantio são retirados da própria floresta. Para isso, os agricultores fazem um manejo cuidadoso, mantendo o chão constantemente coberto por uma camada de folhas, que serão decompostas para enriquecer o solo com nutrientes. Uma das formas desse trabalho é intrigante: o primeiro canteiro que o fazendeiro faz é de capim – que seria considerado erva-daninha. Após completar seu crescimento, esse capim será cortado e espalhado sobre o terreno, onde será decomposto e enriquecerá o solo para as plantas em desenvolvimento. A cobertura do solo ainda reduz a troca de carbono com a atmosfera, reduzindo as emissões de gases do efeito estufa. Isso é o homem reproduzido o que acontece naturalmente nas florestas.
“Quando falamos em produto orgânico, falamos em substituição de insumos. Quer dizer, se na agricultura tradicional você pode utilizar insumos químicos, na agricultura orgânica tiramos os insumos químicos e só utilizamos insumos produzidos em processos naturais. Quando pensamos em sistemas agroflorestais, é mais do que substituição de insumo. É outra lógica de produção. É um valor superior ao de um produto orgânico, porque além de não utilizar produtos químicos, traz-se outra lógica de desenvolvimento local, de redução de gases do efeito estufa, economia de energia. São outros conceitos que agregam mais valor do que uma simples produção orgânica”, explica o prof. Oscar.
Estudos da Embrapa, realizados no Centro de Pesquisas Agropecuárias do Pantanal e no Centro Nacional de Pesquisa de Florestas, apontam ainda que os sistemas agroflorestais serão mais produtivos se puderem gerar maior lucro por hectare, devido à sua diversidade. Dentro destes sistemas a maior despesa é a mão de obra (aproximadamente 47% do total), que é totalmente humana. Se considerarmos sua aplicação na agricultura familiar, a rentabilidade do sistema é ainda maior, pois não haverá a necessidade de pagar pelo trabalho. Além disso, o produtor fica menos vulnerável às oscilações do mercado, pois produz uma larga variedade. Assim, se o preço da banana cai, ele pode compensar vendendo maçã ou abacate.
O sistema agroflorestal respeita os ciclos da natureza e ganha com isso.
As atividades agroflorestais também são menos vulneráveis aos riscos climáticos – a presença de árvores reduz os efeitos de ventos e fortes chuvas –, enriquecem o solo e diminuem os efeitos de erosão (também devido à presença das árvores), que facilitam a penetração da água no solo. Além disso, as pesquisas apontam sua utilidade na recuperação de áreas degradadas, aliando produção à conservação, recuperação, manutenção e ainda certa melhoria da qualidade dos recursos naturais.
Outra vantagem é que, também devido à diversidade, essas culturas são mais resistentes a doenças. A Dra. Daniela Thiago, especialista em microbiologia dos solos, explica que essa variedade de plantas possibilita uma melhor interação entre os organismos, diferentemente do sistema tradicional, pois “quando você faz cultivos muito grandes você pode ter um desequilíbrio no solo, presença de certa bactéria em detrimento de outra, fungo ou nematoide e até mesmo da planta”.
Outras doenças são evitadas por meio do manejo adequado. Assim, nos sistemas agroflorestais tudo o que se produz é resultado apenas da manipulação da terra, sem a introdução de novos elementos estranhos ao ambiente, o que gera um alimento mais saudável. Esse manejo consiste em fornecer às plantas o cuidado específico que cada espécie necessita. A bananeira, por exemplo, precisa ter as folhas secas removidas para evitar a ocorrência de algumas doenças. Outros fatores importantes são:  atenção à irrigação e à adubação correta do solo, que deve ser realizada sempre de forma orgânica, através da compostagem dos resíduos.
“O produtor fazia isso, na prática, antes da Revolução Verde. Houve o desenvolvimento da tecnologia [durante a II Guerra Mundial] e no pós-guerra começou a utilizar os diversos produtos químicos que foram desenvolvidos naquela época. A agricultura tradicional pensa só em três elementos, o NPK – Nitrogênio, Fósforo e Potássio, os principais nutrientes para as plantas – e a natureza, se formos observar, vai muito além. Então o conceito do sistema agroflorestal é justamente o de utilizar a energia disponível no local, fazendo a ciclagem dos nutrientes no ambiente”, explica o prof. Oscar.
 
Criando Vida
O melhor exemplo d o potencial regenerativo dos sistemas agroflorestais talvez seja o caso do suíço Ernst Götsch. Tendo conhecido o Brasil a convite de um aluno, Götsch se mudou com a família para o país em 1982, quando adquiriu uma propriedade de 480 hectares em Piraí do Norte, na zona cacaueira da Bahia. Na época, a área era considerada improdutiva devido ao manejo inadequado, sendo a maior parte utilizada como pastagem.
Após anos de preparação da área, Götsch conseguiu recuperar a fertilidade do solo. Seu foco era o plantio de cacau, espécie que precisa ser cultivada à sombra, ficando muito vulnerável a doenças se plantada em pleno sol. Para produzir essa sombra, Götsch cultiva frutas cítricas, abacate, cupuaçu, entre outras espécies.Hoje, sua floresta é altamente produtiva, sendo que grande parte da área é considerada RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural).  Além de cuidar da propriedade, atualmente Götsch viaja pelo Brasil e pelo mundo dando palestras e cursos sobre o Sistema Agroflorestal.
“Visitei a propriedade do Ernst Götsch, que é nosso mestre, e fiquei maravilhado com o que encontrei lá. Quando ele comprou essa área, não tinha nem água. Quando o visitei tinha 26 nascentes, inclusive com córregos, dentro da sua propriedade. E ele pagou a propriedade de 480 hectares com frutas secas, em três anos e meio”, conta o produtor Eloir Antônio Bernardon, 66 anos, que resolveu utilizar o sistema após esta experiência.
O produtor agroflorestal Eloir Bernardon apostou na  técnica depois de conhecer o trabalho de um pioneiro na Bahia.
Eloir era funcionário de uma multinacional e decidiu abandonar a carreira para comprar uma propriedade em Chapada dos Guimarães, onde começou a viver como um agricultor ecológico. Após 17 anos de agricultura, tendo experimentado diversas outras técnicas, Eloir conheceu o sistema agroflorestal, em 2002. Desde então tem viajado o país pesquisando sobre o assunto, visitando cursos e propriedades. Ele também ministra cursos e palestras sobre o tema, através do Grupo Semente, uma organização de interessados nas agroflorestas. Atualmente, o grupo é uma das iniciativas incubadas no Escritório de Inovação Tecnológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
“A hora que o pessoal da monocultura descobrir que a agroflorestal é muito mais lucrativa, penso que teremos uma mudança significativa [no meio de produção]. Pode demorar um pouco, mas vai acontecer”, diz o esperançoso o agricultor.
A pesquisa sobre os sistemas agroflorestais ainda está começando. O movimento vem tomando força por iniciativa dos produtores, com alguns casos de sucesso, mas ainda é muito tímido. Hoje os sistemas agroflorestais são uma grande aposta para a agricultura familiar, pois é uma técnica barata e não deixa o pequeno produtor vulnerável às variações do mercado, já que a produção é diversificada. No futuro, pode representar uma importante carta nas mãos da humanidade, gerando emprego e renda no campo, mitigando os efeitos do aquecimento global e garantindo a segurança alimentar.

Gabriel Soares / Imagens: Dafne Spolti – EIT(UFMT) / Infográfico: Gabriel Soares


Brazilian Pantanal’s Festivities: Dialogue between culture and nature


http://thecropperfoundation.org/SGAdocs/august2.html





Brazilian Pantanal’s Festivities: Dialogue between culture and nature


LÚCIA SHIGUEMI KAWAHARA – kawahara.lucia@gmail.com(1) 
MICHÈLE SATO – michelesato@gmail.com(2)

The traditional community of San Pedro de Joselândia in the municipality of Baron Melgaço, in the Pantanal of Mato Grosso – Brazil, preserves a vast cultural tradition closely related to the native home in which its inhabitants established roots that were consolidated in the seasonality of this wetland. This narrative focuses on the partial results of research[3] that has sought to understand the relationships within Cultural Ecosystem Services (Traditional Festivities), and seeks to recover an alternative and more sustainable relationship between humans and their environments.

Despite being a community with poor health standards, little access to medicine and a reduced quality of life, inhabitants of Joselandia declare themselves to be very happy. To understand the community perception about the festivity and its relation to the environment, our methodology was based on observations, interviews, courses, workshops, and perception in the light of phenomenology. Our research involved 56 interviews, conducted directly with the major partiers, former party-goers, employees and participants of the festivities. To comprehend the results, we constructed interaction diagrams of dimensions of cultural services and the constituents of well-being: identity, heritage, spirituality, inspiration, beauty, leisure / tourism.

From the interviews, we can understand that spiritual service is highly relevant to the community, and in terms of the Millennium Methodology, it is the strongest service available, because it establishes a connection with all the constituents of well-being. With regard to quality of life, there is a strong tradition of alternative medicines – such as medicinal plants, traditional healers or faith – in the treatment of diseases, indicating a wide and rich range of traditional knowledge, but also that the community suffers the lack of basic health services.

Cultural heritage needs to be studied with more emphasis. Particularly important is the identification of a heritage to be protected, which is that the parties demonstrate that they are a specific wetland people who know how to live and cope with the seasonality of flood and drought typical of a wetland. 

Inspirational and Aesthetic dimensions are strongly related to social relations and basic materials, but there is lack of security, since we consider that the protection of the Pantanal is extremely vulnerable to current environmental policies, which also affects the system of conservation of heritage and local heritage. The conservation of traditional knowledge is intrinsically related to the Pantanal protection, and environmental education can play an important role in linking culture and nature for local sustainability.

[1] PhD student at Federal University of Mato Grosso (UFMT) – environmental educator at State Secretary od Environment (SEMA).
[2] UFMT professor, researcher and leader of environmental education, communication and art research group – http://cienciaeculturanareinvencaoeduco.blogspot.com.br/.
[3] Research supported by National Institute for Science and Technology (CNPq/MCT) and Institute for Science and Technology of Wetlands (INAU), co-ordinated by Centre of Pantanal Research (CPP).

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15 de ago de 2012

Desastre nuclear gera borboletas mutantes em Fukushima

ihu - unisinos
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/512454-desastre-nuclear-gera-borboletas-mutantes-em-fukushima

Desastre nuclear gera borboletas mutantes em Fukushima

Pesquisadores japoneses dizem que borboletas apresentam anomalias desde o acidente nuclear causado em 2011 pelo terremoto seguido de tsunami. Ainda é cedo para determinar se efeito é semelhante em outras espécies.

A reportagem é do sítio Deutsche Welle, 14-08-2012.

Um grupo de cientistas informou nesta terça-feira (14/08) que encontrou anormalidades em três gerações de borboletas coletadas nas proximidades da central nuclear de Fukushima Daiichi. A usina foi danificada após o terremoto e tsunami ocorridos ano passado.
Cerca de 12% de larvas de borboleta da espécie pseudozizeeria maha, que foram expostas à radiação nuclear imediatamente após o desastre, em março de 2011, apresentaram anormalidades, como olhos defeituosos e asas menores do que o normal, afirmaram os cientistas.

Borboletas são consideradas “indicadores ambientais", disse Joji Otaki, professor da Universidade do Ryukyus, emOkinawa, e líder do grupo de pesquisa. Os resultados revelados aumentam o receio de que a radiação liberada em Fukushima possa afetar seres humanos no futuro.

Otaki afirma que a alta porcentagem de anomalias nas borboletas pode ser resultado tanto da exposição externa à radiação no ar, quanto de uma exposição interna, através de alimentos contaminados, por exemplo.

"Nós concluímos que nuclídeos radioativos artificiais da usina causaram danos fisiológicos e genéticos a esta espécie", afirmaram os cientistas no artigo publicado no Scientific Reports, periódico de pesquisa online dos editores da Nature.

Os testes foram realizados em laboratórios no sul da ilha de Okinawa, 1.750 quilômetros a sudoeste da usina deFukushima e uma das regiões menos afetadas pela radiação.

Anomalias em três gerações

Para a pesquisa, a equipe coletou 144 borboletas em meados de maio de 2011, dois meses após o acidente nuclear. Anomalias foram encontradas em 12,4% do total. O número de borboletas que apresentava anomalias subiu para 18,3% na segunda geração. Na terceira geração desta espécie, gerada pelo acasalamento entre borboletas anormais e saudáveis, 33,5% apresentaram anomalias.

Os cientistas haviam coletado mais 238 borboletas da espécie pseudozizeeria maha em setembro de 2011, seis meses após o desastre, e encontraram anormalidades em 28,1% do total. Nestas, as anomalias são malformações de pernas e antenas, bem como aberrações no padrão de cor das asas.

A prole dessas borboletas registrou 52% de anormalidades, o que Otaki acredita ser "uma relação predominantemente alta”. A equipe realizou testes de comparação, expondo borboletas normais a baixos níveis de radiação. Os resultados mostram taxas similares de anormalidade, e a conclusão é que a radiação liberada pela usina danificou os genes das borboletas.

Mas Otaki alerta que ainda é muito cedo para dizer se a radiação tem os mesmos efeitos em outras espécies, como os humanos. Ele acrescentou que a equipe irá realizar estudos semelhantes com outros animais.

O acidente em Fukushima

Após o terremoto e tsunami ocorridos em marco de 2011, a central nuclear lançou uma enorme quantidade de material radioativo no meio ambiente quando três dos seus seis reatores entraram em colapso. Este foi o pior desastre nuclear do mundo em 25 anos. A radiação espalhou-se e obrigou milhares de pessoas a evacuar as áreas ao redor do complexo nuclear. No entanto, críticos dizem que o governo promoveu a imagem de uma Fukushima segura, minimizando o alarde sobre a radiação.

Pesquisadores e médicos ainda negam que o acidente de Fukushima possa causar uma elevada incidência de câncer ou leucemia, doenças frequentemente associadas à exposição à radiação. Porém, cientistas advertiram: até que algumas pessoas possam retornar seguramente para suas casas, serão necessárias décadas.

"Mesmo que não haja nenhum impacto agora, temos de viver com medo", disse Sachiko Sato, que temporariamente fugiu de Fukushima com seus dois filhos. "E preocupações serão proferidas para meus filhos e netos."

Os efeitos da exposição nuclear têm sido observados em sucessivas gerações nos descendentes de pessoas que viveram em Hiroshima Nagasaki, cidades atacadas com bombas atômicas pelos Estados Unidos no final da Segunda Guerra Mundial.

14 de ago de 2012

Aumento de queimadas ameaça Pantanal

fragmentos fractais
http://fragmentosfractais.blogspot.com.br/2012/08/aumento-de-queimadas-ameaca-pantanal.html



NATÁLIA CANCIAN
REYNALDO TUROLLO JR.

DE SÃO PAULO

Há cerca de 50 dias sem chuvas, o Pantanal registra uma explosão de casos de queimadas. Apenas em agosto, foram 1.104 focos, metade do total deste ano (2.214).

Análise: Mesmo com dados, campanhas e leis, queimadas continuam

Na cidade mais afetada, Corumbá (a 420 km de Campo Grande), o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou 94 novos focos de incêndio no fim de semana.

Segundo o Inpe, as queimadas no Pantanal aumentaram 525% neste ano em relação a 2011 (até 13 de agosto).

Foi o maior aumento entre os seis biomas (principais tipos de vegetação) que costumam ter incêndios no país.

Em todo o Brasil, os focos cresceram 63,8% na comparação com o ano passado -foram 43.891 casos, ante 26.769.

Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Fogo, as queimadas já destruíram no país, neste ano, uma área de florestas equivalente a 67% do território de Sergipe.

Não há previsão de chuva no Pantanal para as próximas três semanas, segundo a Somar Meteorologia.

A umidade relativa do ar está abaixo de 20% em 15 municípios de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, o que caracteriza estado de alerta.

Se a umidade cair abaixo de 12%, cidades como Aquidauana (MS) e Cuiabá (MT) entrarão em estado de emergência para a saúde.

O Prevfogo, centro do Ibama que combate e previne queimadas, enviou 40 brigadistas para apagar incêndios em Mato Grosso do Sul.

As queimadas têm causas humanas e também naturais. "Conforme passam os anos e há pouca queima, a matéria orgânica vai se acumulando e sobra para queimar no ano seguinte", diz Gabriel Zacharias, do Prevfogo.

Mas a maior parte dos incêndios, diz o Ibama, ocorre devido à agropecuária, para manutenção de pastagens e áreas de cultivo ou para abrir novos pastos -o que é crime.

O produtor Lucas Paludo, 32, de Sapezal (MT), teve mil hectares de terras atingidos. "Vai levar cinco anos para recompor tudo."

DANOS

Além de prejuízos econômicos, há danos à saúde. "Os efeitos são os mesmos do cigarro", diz Paulo Saldiva, especialista em poluição da USP.

Rogério Takaki Bento, diretor-técnico do Pronto Socorro de Corumbá, diz que os atendimentos por queixas de problemas respiratórios aumentaram 20% desde junho.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1136828-aumento-de-queimadas-ameaca-pantanal.shtml

3 de ago de 2012

Encontrado dinossauro brasileiro ancestral das aves

revista de ciência - fapemat


Encontrado dinossauro brasileiro ancestral das aves

Animal tinha penas e cerca de um metro e meio de comprimento
ISIS NÓBILE DINIZ | Edição Online 14:27 23 de julho de 2012
© ANDREA CAU
Reconstituição mostra como o dinossauro poderia ter sido
Uma equipe internacional de pesquisadores descreveu a primeira evidência fóssil no Brasil de um dinossauro do grupo Unenlagiidae, que pode ter sido ancestral das aves atuais. Trata-se de um exemplar de terópode, dinossauro carnívoro que andava sobre duas patas, parente do Tiranossauro rex. Uma vértebra dorsal com cerca de quatro centímetros de altura foi encontrada na região de Marília, interior de São Paulo. A descoberta foi publicada na edição de junho da revistaCretaceous Research. Segundo o artigo, o estudo desse tipo de terópode é importante para as pesquisas sobre a evolução dos dinossauros e das aves.
A vértebra indica que o dinossauro, que viveu naquela região entre 93,5 milhões de anos e 83,5 milhões de anos atrás, tinha características típicas das aves, como tamanho modesto (cerca de 1,5 metro de comprimento) e, possivelmente, penas e estruturas parecidas com asas. Estas características estão presentes em quase todos os Unenlagiidae encontrados na Argentina e em Madagascar, na África, e em outros dinossauros do Canadá, dos Estados Unidos e da Mongólia como, por exemplo, o velociraptor.
Fósseis que parecem ser da mesma espécie do terópode brasileiro já tinham sido encontrados na Argentina. Também há evidências de que ele tenha vivido onde hoje está Madagascar. “Antes dele, a maioria dos fósseis de dinossauros descobertos no Brasil era, principalmente, de animais com grande porte”, conta o paleontólogo Carlos Roberto A. Candeiro, da Universidade Federal de Uberlândia, um dos autores do estudo.
Encontrar dinossauros menores indica que havia outra cadeia ecológica naquela época. “Possivelmente, dinossauros pequenos caçavam animais menores que ainda não foram descobertos por nós”, explica Candeiro. A esperança dos pesquisadores é, em breve, encontrar mais fósseis na unidade geológica chamada Grupo Bauru, onde a vértebra foi escavada, e montar a cadeia alimentar da qual faziam parte. O achado também sugere que esses sedimentos brasileiros podem ser importantes para a compreensão da evolução de aves.

Alterações climáticas estão se tornando uma das maiores causas de migrações no mundo

revista fapemat
http://www.revistafapematciencia.org/noticias/noticia.asp?id=431


Meio ambiente
Alterações climáticas estão se tornando uma das maiores causas de migrações no mundo
31/07/2012 12:44
Muitas vítimas do  terremoto que devastou o Haiti em 2010 acabaram se transformando em migrantes ambientais transfronteiriços.
O grande terremoto que atingiu o Haiti em 12 de janeiro de 2010 entrou para a história do Brasil: Zilda Arns, pediatra e sanitarista, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, foi uma das vítimas da tragédia. Debaixo dos escombros de uma igreja em Porto Príncipe foi silenciada uma das mais fortes vozes na luta pelos direitos humanos, principalmente das crianças vítimas da pobreza e da fome.  Mas este não é o único motivo pelo qual nosso país está intrinsecamente ligado ao desastre que mudou a vida daquele povo para sempre.  Hoje, estão no Brasil cerca de quatro mil haitianos. Eles deixaram seu país depois do tremor.
Agora, eles fazem parte de uma categoria que está sendo chamada de migrantes ambientais transfronteiriços. O nome soa complicado, mas o conceito é simples. Trata-se de um grupo que é obrigado a deixar o país em que vive por causa de um problema ambiental.   Seja ele um terremoto, um tsunami ou até mesmo a elevação do nível do mar. Situações que devem se tornar cada vez mais comuns devido às mudanças climáticas globais. 
O relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), prevê para os próximos 50 anos a intensificação de secas extremas, ondas de calor e grandes tempestades. A previsão é que a temperatura na terra suba, no mínimo, 2,5º C. A professora Susana Borrás Pentinat, pesquisadora do Centro de Estudos de Direito Ambiental de Tarragona, na Espanha, cita em seus estudos que, somente em 2009, 245 desastres naturais afetaram populações do mundo todo.  Destes, 224 estavam vinculados direta ou indiretamente às alterações no clima.
As dificuldades que estas pessoas enfrentam ao perderem seu habitat vão além das necessidades imediatas - como alimentação e abrigo. Elas também estão fragilizadas do ponto de vista jurídico e este é o tema da pesquisa de Fábio Fiorenza, mestrando em Direito Agroambiental na UFMT, sob orientação do Professor Valério Mazzuoli, Pós-Doutor em Ciências Jurídico-Políticas pela Universidade Clássica de Lisboa. 
Atualmente, os atingidos por problemas ambientais não são amparados pela Lei de Refúgio.  Tanto que os haitianos receberam apenas asilo no Brasil. “Existe uma diferença entre refúgio e asilo, que é importante. Asilo o Estado concede porque quer conceder, em caráter ético e humanitário. Já o refúgio, uma vez que a pessoa se insira em determinados quesitos, o estado é obrigado a conceder”, explica Fábio, que também é Juiz Federal.
Quem já sofreu com a falta de água e precisou até se mudar temporariamente durante o período de estiagem vivenciou, de forma bem atenuada, uma migração ambiental.  No Sudão, esse problema é muito comum e as pessoas precisam caminhas milhares de quilômetros para conseguir água.
Na prática, os haitianos que estão aqui receberam um favor.  “O estado pode suspender o asilo quando quiser. Eles ganharam asilo com a condição de obter emprego dentro de um prazo. Para o refugiado, não existe essa ou outra imposição. Ele só é obrigado a voltar para o lugar de origem se as condições que o forçaram a fugir tiverem sido solucionadas”’, completa o pesquisador.
O Estatuto dos refugiados, mais conhecido como Convenção de Genebra, assinada em 1951, beneficia aqueles que sofrem perseguições por causa de religião, opinião política, nacionalidade, etnia ou pertencimento a grupo social. Esse conceito reflete bem o espírito da época em que o documento foi criado. Naqueles dias, a grande preocupação era em torno dos refugiados da segunda guerra mundial e a questão ambiental não estava em pauta.  “Na verdade, eu penso que deveria haver uma ampliação do conceito de refugiados não só para quem foge de causas relacionadas ao meio ambiente, mas para todos aqueles que, se permanecerem no mesmo lugar, vão ter seus direitos humanos ameaçados”, resume Fábio. Ele lembra que a América do Norte e a África já trabalham com uma definição ampliada, na qual também se insere como causa de concessão de refúgio situação de violação massiva dos direitos humanos, por causa de guerra civil ou conflitos internos.
Um novo contexto para uma história antiga
A condição de migrante ambiental não é novidade.  Todos nós, em maior ou menor grau, nos concentramos em lugares onde as condições são mais favoráveis à sobrevivência. Nos primórdios da humanidade, os grupos viviam da caça e da coleta e vagavam de acordo com a oferta de alimentos, por sua vez regulada pelo equilíbrio do ecossistema.  O Brasil tem inúmeros casos de pessoas nesta situação.  Os nordestinos que se mudam para o sudeste fugindo da miséria provocada pela seca são um exemplo.  Os moradores do interior do Rio de Janeiro vítimas das enchentes edeslizamentos de terra são outro.  
Um caso extremo aconteceu em 1981 quando a Ilha Pagan, que faz parte do arquipélago das Ilhas Marianas do Norte, no Oceano Pacífico, teve que ser completamente evacuada devido à possibilidade de uma grande erupção vulcânica.  Localizada no encontro entre a placa tectônica do Pacífico e a das Filipinas, ela tem dois vulcões ativos e continua desabitada até hoje. 
Segundo a Universidade das Nações Unidas, os principais problemas ambientais que levam as pessoas a migrar são esgotamento do solo, desertificação, terremotos,  furacões e grandes enchentes, como as que ocorreram em meados de julho na ilha de Kyushu, no sudoeste do Japão e forçaram milhares de pessoas a deixarem suas casas.
Várias instituições buscam estimar quantos são os refugiados ambientais no mundo atualmente.  O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) calcula que sejam 25 milhões de pessoas – é o equivalente a quase toda a população do sul do Brasil. O pesquisador Filipe Duarte dos Santos, professor catedrático naFaculdade de Ciências da Universidade de Lisboa avalia que este número pode subir para pelo menos 150 milhões nos próximos quarenta anos. Para se ter uma idéia da grandiosidade deste número,segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, o Brasil tem hoje 190 milhões habitantes.
O que transformou essa realidade em questão para o direito internacional foi justamente o fato de que agora muitas pessoas chegam ao ponto de precisar deixar seus países devido aos problemas ambientais.   O tsunami de 2004, que atingiu a Indonésia, fez estragos também no sul da Somália, deixando 50 mil desabrigados e deflagrando uma epidemia de cólera, que durou meses. Para muitos habitantes do país, a única saída foi migrar para nações vizinhas, onde poderiam encontrar melhores condições de vida.   Só que nessa alternativa eles continuam sem a situação jurídica consolidada.
Há até mesmo países que devem desaparecer.  Com a elevação do nível dos oceanos, devido ao derretimento do gelo polar, a previsão é que Tuvalu e Kiribati, na Oceania, sejam engolidos pelas águas nas próximas décadas.   No total, cerca de 115 mil pessoas ficarão, literalmente, sem seus países. O mesmo deve acontecer com as Ilhas Maldivas, no oceano Índico, que tem hoje quase 300 mil habitantes. “As pessoas estão sujeitas a ficarem sem pátria e essa é uma condição que afronta os direitos humanos por si só”, ressalta Fábio.
O governo de Kiribati já anunciou que pretende comprar terras em ilhas vizinhas para reconstituir seu país.  É outro problema que não está previsto em lei e tem potencial para criar grandes conflitos.  Uma nação constituída dessa forma seria uma organização fictícia, pois teria apenas uma relação de propriedade com a terra e não de soberania.  Em última instância, precisaria ser submetida às leis e ao governo do lugar onde comprou o terreno. “Dificilmente, eu penso, um país aceitaria vender suas terras assim, pois isso ameaça a segurança nacional. Eu acredito agora que essas pessoas deveriam ter o direito de se deslocar para um outro país e ganhar a nacionalidade de forma mais simplificada”, argumenta Fábio.
As dificuldades para encontrar responsáveis
O livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, lançado em 1938, já mostra um triste registro da vida de quem é obrigado a deixar sua terra devido a problemas climáticos.  A história de sofrimento de uma família de retirantes nordestinos, que migra em função da seca, virou filme pelas mãos do cineasta Nelson Pereira dos Santos. 
No século passado, eventos climáticos extremos como os tsunamis, furacões e grandes enchentes aconteciam em intervalos de tempos maiores.  Atualmente, estes fenômenos são registrados com muito mais frequência. Para a ciência, a interferência humana é uma das grandes responsáveis por essa situação, devido ao aumento da emissão de gases do efeito estufa – provocada, entre outras coisas, pela queima de combustíveis fósseis e o desmatamento. 
Por isso, o labirinto jurídico não fica por aí.  Muitos países prejudicados pelo aquecimento global praticamente não emitem poluentes – como é o caso de Kiribati e Tuvalu.  A pergunta é inevitável: de quem é a culpa? “No caso da mudança climática, são os países industrializados que mais contribuem, mas quem sofre as consequências de forma mais severa são os países em desenvolvimento. Existe uma situação de injustiça”, expõe o pesquisador.
Já houve casos em que a questão foi levada à justiça.  Em 2007, o Estado de Massachusetts, nos EUA, processou a Agência de Proteção Ambiental por falhar na missão de regular a emissão de dióxido de carbono pelos automóveis. Segundo os autores da ação, as mudanças climáticas já estavam causando uma erosão séria na zona costeira e esse problema continuava se agravando devido à falta de ação da agência.  Apesar de todos os recursos da Agência, a Suprema Corte norte-america decidiu em favor do governo de Massachussetts, determinando que o órgão cumprisse seu papel regulador efetivamente.
Este é outro motivo para que o direito internacional se envolva no caso.   Para Fábio, apesar da tese de que as atividades humanas contribuem para as mudanças climáticas ser globalmente aceita, juridicamente seria muito difícil provar, por exemplo, que o aumento das chuvas de monções na Índia foi causado pelo aquecimento global. Mais complicado ainda seria determinar qual emissão de poluentes, de qual país, foi responsável pela alteração.  O que ele propõe é uma solução compartilhada entre todos.  “Eu acho que um sistema muito melhor do que a responsabilização direta de alguém é a criação de um fundo. Um seguro mundial em que quem mais contribui com a emissão de gases do efeito estufa, paga mais”, explica.  Esse dinheiro seria utilizado para ajudar países destruídos por catástrofes ambientais ligadas a esse problema.
Outra utilidade do fundo seria compensar financeiramente países que recebessem esses migrantes ambientais transfronteiriços.  Afinal, muitas nações se recusam a dar asilo ou refúgio para estas pessoas por questões econômicas.  São pessoas fragilizadas, que perderam tudo e dependem fortemente do amparo do Estado. “Dessa forma haveria uma solidariedade global, planetária, com os refugiados ambientais e com as consequências das mudanças climáticas”, avalia Fábio. 
Justiça internacional: com balança e sem espada
Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)reconhece a precariedade destes grupos, mas ainda não considera que seja necessária uma revisão no Estatuto de Refugiados.  No entanto, o Brasil pode efetuar mudanças na lei para reconhecer os migrantes ambientais transfronteiriços como refugiados.  Para Fábio, essa ação colocaria o país na vanguarda da questão ambiental.
No caso do resto do mundo, no entanto, não existe um órgão acima dos países, que os obrigue a cumprir qualquer lei internacional.  “O Brasil pode criar sua regulamentação no âmbito doméstico, como a Suécia criou. O país aprovaria uma lei que reconhece que as pessoas que fogem dos seus países por causas ambientais vão ser admitidas no Brasil na condição de refugiados”.
No âmbito mundial, as sugestões do pesquisador poderiam integrar um acordo, do qual os países interessados se tornariam signatários.  Mas se algum país decidisse descumprir a regra não haveria um instrumento de punição – apenas sanções ou ações de repúdio que outras nações poderiam adotar.  “A gente tem a imagem da justiça com uma balança e uma espada nas mãos. A balança serve para medir o que é certo. A espada serve para fazer valer essa decisão. Ou seja, no Brasil, o judiciário decide e tem o poder para fazer cumprir. No plano internacional, só existe a balança, não existe a espada”, conta.
Uma questão humanitária
O termo “refugiados ambientais” foi usado pela primeira vez em 1985, em um artigo de mesmo nome, de autoria do professor Essam el-Hinnawi, do Centro Nacional de Pesquisas do Egito, no Cairo.
A terra em que se vive não é só um lugar de onde se tira o sustento e se encontra abrigo.  Por isso, os refugiados também sofrem com a perda cultural. “Há vários grupos sociais que têm a construção de suas identidades ligadas, de forma especial e intrínseca, com o ambiente a que pertencem. Em Mato Grosso, podemos citar, como exemplo, os povos pantaneiros, mimoseanos e ribeirinhos. Eles têm até mesmo suas respectivas denominações em referência aos ecossistemas/lugares que habitam”, avalia a pesquisadora Regina Silva, doutora em ecologia pela UFSCar e professora do Programa de Pós-graduação em educação da UFMT, que realizou um mapeamento das identidades e territórios de Mato Grosso (link para a matéria). 
O estudo detalhou como os impactos ambientais alteram os ecossistemas e, além de deformar as paisagens, acabam interferindo nas identidades dos grupos sociais que têm o seu modo de vida estritamente dependente dos ambientes naturais que habitam. “Discutimos e apresentamos exemplos de que, na alteração desses ambientes, perde-se diversidade biológica, mas também as diferentes culturas e as múltiplas formas de convívio com a natureza. É a alma, a cultura, a identidade individual e coletiva destas pessoas que estão sendo destruídas”, reforça Regina.
A questão é, acima de tudo, humanitária.  A julgar pelo texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, os refugiados ambientais – transfronteiriços ou não – podem se enquadrar no artigo XXV, como pessoas para as quais cessou o direito “... a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar...” e à segurança, inclusive em casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias que fujam ao controle humano. Por enquanto, cabe a cada país escolher a maneira como vai lidar com essa nova realidade.
Mas tratar com dignidade os refugiados ambientais é só uma parte da solução.  Dar proteção legal a estas pessoas é reconhecer também que estamos diante de um problema muito maior: o consumo desequilibrado dos recursos naturais está tornando o planeta um lugar menos receptivo para os seres humanos.  Sem mudanças efetivas no modo como nos relacionamos com a natureza, em breve, todos nós poderemos nos tornar migrantes ambientais e com um agravante: sem nenhuma perspectiva de encontrar um lugar que possa nos oferecer o mesmo nível de conforto que a Terra ainda nos proporciona, na maioria dos países.